Marcelo Silva

Marinha Mercante, Logística, História, Monarquia e Jesus Cristo

BRASIL, 500 ANOS DE MARINHA MERCANTE - Cap 03

 

 

Brasil, 500 Anos de Marinha – parte 03

Grandes Navegações em Destaque

Falamos tanto das “Grandes Navegações” e cometi o erro de não especificá-las até agora. Peço desculpas pela falha e agradeço as correspondências cobrando por elas.

Entre as grandes navegações destacam-se:

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Principais expedições enviadas pelo Infante D. Henrique:

 

1427 - Açores - Diogo de Silves 1434 - Cabo Bojador - Gil Eanes

 1435 - Angra dos Ruivos - Gil Eanes e Afonso Gonçalves Baldaia

 1436 - Pedra da Galé - Afonso Gonçalves Baldaia

 1441 - Cabo Branco - Nuno Tristão

 1444 - Senegal - Cabo Verde - Dinis Dias

 1445 - Cabo dos Mastros - Álvaro Fernandes

 1446 - Rio Gambia - Estevão Afonso

 1446 - Cabo Roxo - Álvaro Fernandes

 1456 - Rio Grande - Diogo Gomes

 1456 - Rio Grande - Cadamosto e Antoniotto Usodimare

 1460 - I. Cabo Verde - Diogo Gomes e Antonio de Noli

 1460 - Serra Leoa - Pedro de Sintra

 

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Após a morte do Infante D. Henrique:

 

1471 - Golfo da Guiné - C. das Três Pontas - João de Santarem e Pero Escolar 1474 - Cabo Santa Catarina - Rui Sequeira

 1483 - Rio Poderoso - Cabo do Lobo - Diogo Cão

 1486 - Serra Parda - Diogo Cão

 1488 - Cabo das Tormentas - Rio Infante - Bartolomeu Dias

 1492 - 1493 - Primeira viagem de Cristovão Colombo

 1497 - 1499 - Descobrimento do Caminho das Índias - Vasco da Gama

 

1500 - 1501 - Viagem de Pedro Álvares Cabral

1519 - 1522 - Viagem de Circunavegação do Globo até a morte de Fernão de Magalhães e conclusão do périplo sob o comando de Del CanoDessa maneira, podemos observar que o envolvimento do mar na história do nosso País, além de ser uma constante desde muito antes do dia 22 de abril de 1500 até a atualidade, destaca a importância que devemos atribuir para a Marinha do Brasil (Mercante e de Guerra) e as atividades marítimas desenvolvidas por importantes segmentos de nossa economia.

 

A Esquadra do Almirante Pedro Álvares Cabral

No dia 8 de março, estava fundeada, no porto de Lisboa, uma Esquadra imponente constituída por duas divisões, com um total de dez naus e três caravelas (13 embarcações no total, muito maior, portanto, das esquadras de Vasco da Gama e de Cristóvão Colombo - daí as primeiras suspeitas da intencionalidade da “descoberta” do Brasil). A bordo, para bem impressionar os Rajás da Índia, estavam fidalgos da corte portuguesa e ricos presentes, além de soldados, para evitar um outro constrangimento já cometido por Vasco da Gama e sua viagem anterior.

Os navios

A primeira divisão era composta por cinco naus, duas caravelas, uma nau mercante e uma nau, de dimensões menores, de mantimentos, além da nau capitânia e da sota-capitânia (a segunda de maior importância). A segunda divisão contava com uma nau e uma caravela redonda. Entre os Comandantes e pilotos das naus e caravelas figuravam experimentados marinheiros, como Nicolau Coelho, Pero Escolar, Pero de Alenquer, Afonso Lopes, Bartolomeu Dias e seu irmão Diogo, escolhidos por sua reconhecida destreza no mar.

A construção e a preparação dessa Esquadra foi realizada, às pressas, em estaleiros da Ribeira das Naus, entre o final do verão de 1499 e os últimos dias do inverno de 1500. O conhecimento que somente seria possível navegar entre a África e a Índia pelo Oceano Índico, durante as monções de verão, principalmente se considerado que faltavam apenas quatro meses para que os ventos passassem a dificultar a viagem, constituía-se no principal motivo para a acelerada preparação. Caso a Esquadra não estivesse pronta, a viagem somente seria realizada em 1501.

Na manhã do dia 9 de março de 1500, uma segunda-feira, a Esquadra inicia a viagem, que terminaria, em sua primeira parte, no dia 22 de abril, quando os navios fundearam nas proximidades do Monte Pascoal, defronte ao Rio Caí, na Bahia, perto da cidade de Caraíva, a poucos quilômetros ao sul de Trancoso, Arraial da Ajuda e Porto Seguro.

Durante a travessia entre Lisboa e o fundeadouro uma das naus simplesmente desapareceu. Foi a Nau Vitória, comandada por Vasco de Ataíde. De acordo com estudo do Contra-Almirante Max Justo Guedes, essa nau perdeu-se devido “ao nevoeiro e às nuvens de poeira saariana” que, em muitas oportunidades, dificultam a navegação entre as Ilhas do Cabo Verde, podendo ter acarretado a colisão da nau em algum baixio e, conseqüentemente, o seu naufrágio. Nenhum documento, porém, comprova tal possibilidade.

Cabral permanece somente dez dias em solo brasileiro e segue viagem para a Índia. Outros acidentes com as naus e as caravelas da Esquadra de Cabral ainda ocorreriam durante esta segunda parte da viagem.

Falaremos sobre cada embarcação e seus principais navegadores.

Como os leitores podem notar a Marinha Mercante era o instrumento da integração. E ainda permanece assim.

 

Marcelo José Dotta da Silva é Oficial da Marinha Mercante e autor do livro “Brasil, 500 Anos de Marinha”, ainda não publicado.

January 24, 2010 - 5:39 PM No Comments

BRASIL, 500 ANOS DE MARINHA MERCANTE - Cap 02

 

Infante D. Henrique e a Escola de Sagres, berço dos Navegadores  

Para a execução das grandes navegações foram necessárias diversas providências do Infante D. Henrique, que apesar de nunca ter sido marinheiro, era cognominado de “O Navegador”. Ele cruzou somente duas vezes o Mar Mediterrâneo para atacar infiéis em Marrocos (infiéis eram todos aqueles que não eram cristãos) mas jamais navegou o Oceano Atlântico, o “Mar Tenebroso”, palco das grandes navegações.

Segundo alguns importantes historiadores, o Infante D. Henrique, filho mais moço do rei D. João I, reuniu na Vila de Lagos, que ficava nas proximidades do Promontório de Sagres, sábios, cartógrafos, astrônomos e astrólogos, especialmente judeus que fugiam de perseguições que ocorriam na Espanha.

D. Henrique era o quinto filho do famoso Rei D. João, mestre da Ordem Militar de Avis e, por sua vez, filho ilegítimo do rei D. Pedro I (pai de D. Fernando), que deixara o trono com sua morte sem herdeiros (em 1383). Note que o nosso Imperador D. Pedro I era “primeiro” do Brasil. Em Portugal, o nosso D. Pedro I era D. Pedro IV.

O Infante D. Henrique foi, segundo o famoso e respeitado historiador Francisco de Adolfo Varnhagen (1816-1878), um “monge-guerreiro, obcecado, teimoso, celibatário e asceta”.

De fato, Dom Henrique era uma figura imponente, alto, forte, loiro e olhos muito claros (sua mãe, D. Filipa de Lancaster, era inglesa, filha de John de Gaunt, herdeiro do rei inglês Edward III). Sempre vestido como um cavaleiro medieval e sempre usando um manto negro, morreu virgem (dizem…), em 13 de novembro de 1460.

Os ingleses chegaram a publicar inúmeras biografias dele, sempre o colocando como um cavaleiro típico do Rei Arthur. Excessos ou não nestes textos históricos, o Infante Dom Henrique foi cavaleiro ousado, inteligente e misterioso. Era ocultista e estava sempre cercado de astrônomos, cartógrafos e cosmógrafos. Foi também um líder da famosa Ordem dos Cavaleiros de Cristo, poderosa e enigmática ordem militar da Europa medieval, que originou-se da antiga Ordem dos Templários.

CRUZ DA ORDEM MILITAR DOS CAVALEIROS DE CRISTO

(NÃO CONFUNDA ESTA CRUZ COM A CRUZ DE MALTA)

Foi graças ao Infante D. Henrique que a famosa

 

 

Escola de Sagres, a primeira das grandes Academias Navais do mundo, surgiu. Nela nasceram os primeiros grandes navegadores do mundo, homens audazes, empreendedores, curiosos e muitas vezes considerados “lunáticos” por “sociólogos” modernos. E foram eles que fizeram e mudaram a história e geografia mundiais.Falarei, no seu devido tempo, sobre os grandes comandantes, pilotos, corsários e piratas do mundo. Inclusive daqueles que viveram temas de filmes nos cinemas. Será um capítulo interessante, eu prometo.

A Navegação aprimora seus instrumentos de bordo

A partir dos conhecimentos adquiridos e consolidados em cada uma das grandes navegações, foi possível o desenvolvimento da Caravela Redonda, de tabelas matemáticas com a declinação dos astros e de importantes instrumentos de navegação como a balestrilha, o astrolábio, o sextante, a ampulheta e a agulha magnética – conhecida no mundo civil como bússola.

Balestrilha Astrolábio Sextante Ampulheta Bússola

Caravela Redonda recebeu este apelido porque era uma caravela mais evoluída das suas antecessoras, com seu casco em formato arredondado e com velas “redondas” ao serem infladas pelos ventos. Tinham 30 metros de comprimento por 06 metros de boca (largura).

As decisões do Infante D. Henrique, sempre ratificadas pelos reis portugueses, faziam as grandes navegações, progressivamente, ampliar os domínios de Portugal e trazer para Lisboa uma grande quantidade de riquezas, que incluíam, entre outras, diversos tipos de ricas especiarias, madeiras importantes para inúmeras finalidades e metais preciosos.

As especiarias…

Para se ter uma idéia da importância das especiarias, costumo compará-las ao nosso refrigerador de hoje (a geladeira).

Como não havia condições de alimentar o gado durante o inverno na Europa, quase todo o rebanho era abatido em novembro. O sal era usado para preservar a carne por vários meses, mas a pimenta, e em menor escala, o cravo, eram considerados indispensáveis para tornar o sabor das conservas menos repulsivo. Daí ser a pimenta a mais valiosa das especiarias (cravo, canela, sal…).

Os hindus da Índia, por exemplo, só trocavam pimenta por ouro. E todas as novas tentativas de se atingir as Índias pelo mar foram necessárias devido a tal importância das especiarias no mercado europeu, já que os árabes, geograficamente localizados bem no meio da Europa e das Índias, haviam bloqueado o acesso por terra, aberto pelo famoso mercador de Veneza, Marco Polo.

Semana que vem tem mais.

Marcelo José Dotta da Silva é Oficial da Marinha Mercante e autor do livro “Brasil, 500 Anos de Marinha”, ainda não publicado.

January 24, 2010 - 5:37 PM No Comments

BRASIL, 500 ANOS DE MARINHA MERCANTE - Cap 01

 

 

 

CAPÍTULO 01

Livro “Brasil, 500 Anos de Marinha” de Marcelo José Dotta da Silva

 

Este livro-eletrônico (e-book) comemora os 500 Anos do Brasil e a participação da Marinha neste período. São textos consecutivos, cronologicamente escritos, narrando algumas aventuras deste nosso País jovem, irreverente e poderoso. Surgiu inicialmente como textos semanais para um jornal de São Carlos, SP, mas que, através do incentivo de colegas da Marinha Mercante e de Guerra, tornou-se nesta humilde obra digital.

Cada capítulo tenta narrar uma novidade, um detalhe histórico muitas vezes não divulgado e conhecido por poucos. A bibliografia é extensa. São vários os livros e documentos históricos de minha propriedade que são as bases dos textos desta obra. Os erros e omissões são involuntários e de boa-fé, mas eu assumo total responsabilidade por ambos.

Estes capítulos são especialmente dedicados aos jovens brasileiros, principalmente aos jovens da minha cidade natal, São Carlos (do Pinhal). E que cada um destes jovens, tendo a oportunidade de ler estas poucas linhas possa, como eu, se orgulhar de ser brasileiro.

 

Antecedentes importantes ao Descobrimento do Brasil e a Importância das Grandes Navegações Portuguesas pelo Mundo

A história do descobrimento do Brasil, conseqüência direta das grandes navegações portuguesas, tem seu início muito antes da Esquadra do Almirante Pedro Álvares Cabral deixar o porto de Restelo, em Lisboa, em 8 de março de 1500, um domingo.

Podemos retroceder a 1095, quando surgiu, na Península Ibérica, um povo acostumado a lutas (lutas estas que já duravam um século e meio) e com grande vocação para realizar atividades marítimas.

Em conjuntura marcada por freqüentes confrontos militares com os reinos que formariam a Espanha e com o mundo árabe, os portugueses passaram, de forma contínua e crescente, a buscar nas atividades marítimas os recursos necessários para fortalecer seu poder nacional, o que também garantiria a sua própria sobrevivência frente aos inimigos poderosos. E conseguiram!

Com o tempo e devidas explicações com base histórica, o brasileiro dará o devido valor ao povo português, muitas vezes criticado e responsabilizado pelo nosso atraso atual perante o mundo desenvolvido. Muitos chegam a falar absurdos quando dizem que melhor seria se tivéssemos sido colonizados pelos holandeses comandados por Maurício de Nassau. Espero tirar, nesta pequena obra, consolidada de tantas outras mais importantes e ricas em detalhes, estas dúvidas banais.

Podemos ainda voltar ao reinado de D. Dinis (1279 – 1325), quando foram estendidos aos marinheiros de Lagos e Tavira os privilégios usufruídos pelos de Lisboa, o que permitiu a abertura de novas opções comerciais no Mediterrâneo e na costa africana setentrional, o Magrebe. Devemos também mencionar o reinado de Afonso IV (1325-1357), quando ocorreram as primeiras expedições para as Canárias e, provavelmente, a descoberta do Arquipélago da Madeira.

A era dos descobrimentos atlânticos, iniciada no século XIV por meio das grandes navegações, bem representa a expansão de Portugal e o apogeu de seu poderio na conjuntura internacional daquela época. Portugal foi para a época e o que os Estados Unidos, em pleno século XXI, estão longe de ser para o mundo todo.

Esta obra pode (e deve) ser divulgada em escolas. Pede-se, apenas, a cortesia de se mencionar a fonte.

 

January 24, 2010 - 5:35 PM No Comments

Hino da Marinha Mercante do Brasil

 

HINO DA MARINHA MERCANTE DO BRASIL

 

CIAGA, Rio de Janeiro, Maio de 1987

 

 

 

Letra:           Marcelo José Dotta da Silva (MARCELO SILVA)

Música:         Maestro Moacyr Geraldo Maciel

Harmonia:     Banda do Corpo de Fuzileiros Navais

 

 

 

Dentre homens de Bem e Justiça,

Surgimos nós, Bravos Navegantes,

Que, com espírito aventureiro,

Singramos os mares bravejantes.

 

Refrão

 

Somos os Nautas Oceânicos,

Que sem temor os mares navegamos,

Elevando nossa Economia

E a Independência que conquistamos.

 

Somos desta Pátria muito amantes,

A Guarda do Tesouro Nacional,

Somos de fato representantes

De uma potência mundial.

 

Refrão

 

Se nossa Nação em uma guerra

Preciso for lutar, participar,

Estaremos prontos para ela,

Velando a Soberania no mar.

 

Refrão

 

Nossa vida é um puro sacrifício,

Longe dos lares temos que ficar,

Nossa rota, porém, prosseguimos,

Fazendo a nossa Pátria brilhar.

 

 

 

July 19, 2009 - 9:49 PM No Comments

Terrorismo através da Marinha Mercante

 

PROTEÇÃO E SEGURANÇA DE NAVIOS, PORTOS E PLATAFORMAS DE PETRÓLEO

 

Por Marcelo José Dotta da Silva*

 

O mundo, até poucos anos atrás, dividia-se em dois blocos principais, devido aos efeitos diretos e indiretos da Guerra Fria. Turbulência maior em nossa região era causada pela hostilidade de Cuba aos Estados Unidos e pequenos atritos de ordem diplomática em outros países latino-americanos.

 

Com o término da polarização entre os protagonistas da Guerra Fria, outros conflitos ideológicos e econômicos preencheram a lacuna deixada. Mas nenhum se tornou tão ameaçador como o terrorismo, principalmente depois da audaciosa missão suicida nos Estados Unidos, em 11 de Setembro de 2001.

 

Depois do ataque às torres gêmeas do WTC (World Trade Center) o planeta mudou. A maior hegemonia militar da história da humanidade foi agredida e humilhada perante as lentes das câmeras das principais redes de TV e dos principais jornais do mundo, em um espetáculo horroroso e em “tempo real”, sem precedentes, por uma “milícia sem armas”, provando ao mundo que terrorismo não se faz, necessariamente, com armas convencionais. Usa-se, na maior parte do tempo, a criatividade e o material disponível.

 

Os especialistas em segurança chegaram a uma terrível conclusão: o planeta tem mais água que terra. Portanto, mais navios que aviões, e mais portos que aeroportos. Isto significa um paraíso de oportunidades para práticas terroristas, que não precisam nem de armas convencionais, nem de vítimas humanas para provocar um verdadeiro caos a qualquer potência econômica do mundo. Basta prejudicar as operações marítimas e portuárias em pontos logísticos e estratégicos, tanto em território nacional do país atacado como em conhecidos locais sensíveis ao comércio mundial, como o Canal do Panamá. Resumindo: navios mercantes são alvos fáceis e navios petroleiros e químicos (principalmente os navios de gás), são potenciais armas para terroristas.

 

Após os trágicos eventos de 11 de setembro de 2001, a 22a. Sessão da Assembléia da Organização Marítima Internacional (IMO), em novembro de 2001, concordou, por unanimidade, em desenvolver novas medidas relativas à proteção de navios e instalações portuárias. A conferência, realizada na sede da Organização Marítima Internacional (IMO), de 9 a 13 de dezembro, foi de crucial significado, não só para a comunidade marítima internacional, como para a comunidade global, dado o papel importantíssimo da navegação no intercâmbio comercial mundial. Participaram desta conferência os 108 Governos conveniados com a Convenção SOLAS (Safety of Life At Sea, ou, traduzindo, Convenção Internacional para a Segurança da Vida no Mar, de 1974).

 

Algumas emendas à Convenção SOLAS – 1974 foram adotadas, das quais a de maior alcance determina a introdução do novo Código Internacional de Segurança Marítima e Portuária (ISPS Code – International Ship and Port Facility Security Code). O código contém em detalhe os requisitos obrigatórios aos Governos, autoridades portuárias e empresas de navegação, relativos à segurança, assim como uma série de diretrizes sobre como cumprir tais requisitos. A Conferência adotou ainda uma série de resoluções para reforçar a importância das emendas, estimular a aplicação das medidas a navios e instalações portuários não cobertos pelo código, alicerçando a base para futuros trabalhos sobre este assunto, acelerando a implementação do requisito de instalação dos Sistemas Automáticos de Identificação e adotando novas Regras no Capítulo XI-1 da SOLAS 74, cobrindo a marcação do Número de Identificação de Navios e a manutenção de um Registro Contínuo de Dados. 

 

Basicamente, o código ISPS parte do princípio de que garantir a segurança de navios e instalações portuárias é uma atividade de gestão de riscos, para a qual, a determinação das medidas apropriadas é decorrência de uma avaliação de riscos em cada caso particular. O objetivo do código é fornecer estruturas padronizadas e consistentes para avaliações de riscos, capacitando Governos à previsão de alternativas de ameaças e modificações na vulnerabilidade de navios e de instalações portuárias.

 

Para iniciar este processo, cada Governo conveniado deverá conduzir sua avaliação de segurança em suas instalações. As avaliações de segurança terão 3 componentes essenciais.

 

Primeiro, deverão ser identificados e avaliados os ativos e infra-estruturas mais importantes e considerados como críticos ao bom desempenho da instalação portuária, assim como as áreas ou estruturas que, se danificadas, poderiam causar perdas significativas de vidas, da economia ou do meio ambiente da instalação. Em seguida a avaliação deverá identificar as reais ameaças àqueles ativos cruciais de infra-estrutura a fim de priorizar suas medidas de segurança. Finalmente, a avaliação deverá considerar a vulnerabilidade da instalação portuária, identificando seus pontos fracos em segurança física, integridade estrutural, sistemas de proteção, políticas e procedimentos, sistemas de comunicações, infra-estruturas de transportes, utilidades e outras áreas da instalação que possam ser prováveis ou potenciais alvos de ataques terroristas. Uma vez completada essa avaliação, os Governos poderão avaliar riscos com melhor grau de precisão.

 

O conceito de gerenciamento de riscos é incorporado no código mediante um número mínimo de requisitos de segurança funcional para navios e instalações portuárias.

 

Para navios, os requisitos devem incluir:

  • Planos de segurança de navios
  • Oficiais de segurança de navios
  • Oficiais de segurança da companhia de navegação
  • Certos equipamentos específicos de bordo

 

Para instalações portuárias os requisitos devem incluir:

  • Planos de segurança em instalações portuárias
  • Oficiais de segurança da instalação portuária
  • Certos equipamentos de segurança

 

Tradicionalmente os requisitos para navios ou portos incluirão:

  • Monitoramento e controle de acessos
  • Monitoramento de atividades de pessoas e de cargas
  • Garantia da pronta disponibilidade de comunicações e segurança

 

Em virtude de que cada navio (ou classe de navio) e cada instalação portuária apresenta um diferente tipo de risco, o método pelo qual devem ser cumpridos os requerimentos específicos deste código será determinado e aprovado pela administração governamental conveniada, conforme cada caso.

 

Para a comunicação de ameaças a uma instalação portuária ou navio, o Governo conveniado estabelecerá o nível de segurança apropriado. Níveis 1, 2, 3 de segurança correspondem a situações de ameaça “normal”, “média” e “alta” respectivamente. O nível de segurança estabelece um vínculo entre o navio e a instalação portuária, como gatilho para a implementação das medidas de segurança apropriadas para o sistema navio-instalação. Os navios serão sujeitos a sistemas de inspeção, verificação, e controle para assegurar que suas medidas de segurança estejam implementadas. Estes sistemas serão baseados no sistema de controle estipulado em 1974 pela SOLAS. As instalações deverão também reportar certas informações sobre segurança ao respectivo Governo conveniado, que por sua vez submeterá a IMO os planos de segurança portuária aprovados, incluindo detalhes de localização e contatos.

 

 

A Companhia de Navegação e o Navio

 

Sob os termos do código, as companhias de navegação deverão designar um oficial de segurança da companhia e uma oficial de segurança do navio para cada um de seus navios. As responsabilidades do oficial de segurança compreendem a adequada garantia de segurança do navio. Os planos de segurança do navio, elaborados e submetidos à aprovação da administração, e permaneçam, após aprovação, a bordo de cada navio.

 

O plano de segurança do navio deve indicar as medidas de segurança física e operacional a serem tomadas para assegurar a permanente operação ao nível 1 de segurança. O plano deve também indicar as medidas de segurança adicionais ou intensificadas que o navio deverá tomar para transferir sua operação ao nível 2 de segurança quando assim instruído. Adicionalmente, o plano deverá indicar as possíveis ações preparatórias a serem tomadas pelo navio, que permitam pronta resposta a instruções que possam ser recebidas para a transferência ao nível 3 de segurança.

 

Os navios terão que transportar um certificado de segurança naval indicando sua conformidade com os requisitos da SOLAS XI-II e a parte A do Código ISPS. Quando um navio estiver em um porto de um Governo conveniado ou a ele se dirigindo, este Governo terá o direito, conforme previsto no regulamento XI-II/9, de realizar várias medições de controle de conformidade daquele navio.

 

O navio será sujeito às inspeções do controle reitor do porto (Port State Control), embora essas inspeções não sejam normalmente relativas ao exame do plano de segurança do navio propriamente dito, exceto em circunstancias especificas.

 

O navio poderá também ser submetido a medições adicionais de controle, caso o Governo conveniado exerça esse controle, ou em casos em que as medições de conformidade justifiquem que a segurança do navio ou da instalação portuária esteja comprometida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sistema de Identificação Automática para Navios (AIS)

 

 

 

 

Todos os marítimos em viagens internacionais deverão saber operar este novo sistema instalado nos passadiços dos navios. A tecnologia que compõe o AIS é combinado com a tecnologia das cartas eletrônicas (ECDIS) para dar ao Oficial de Quarto (Oficial de Navegação) a condição de ver um ícone para cada navio significativo dentro da cobertura rádio VHF, exibindo sua velocidade e proa, refletindo seu tamanho atual, nome, tipo, indicativo de chamada, número de registro, e outras informações importantes. As movimentações de todos os navios no mundo já são monitoradas por autoridades marítimas e navios de guerra podem abordar navios suspeitos a qualquer momento.

Os Sistemas de Exibição de Carta Eletrônica e Informação (Electronic Chart Display and Information Systems - ECDIS),  foram elaborados para aumentar a segurança da navegação. Os marítimos brasileiros são treinados no ECDIS através do programa Navi-Sailor 3000 da Transas Marine, que atende aos padrões de desempenho da IMO. O Navi-Sailor 3000 inclui funções adicionais tais como a integração de alvos AIS, exibição dos dados das marés, correntes e ventos e opção de informação meteorológica. Os simuladores ECDIS do CSA recebem dados de posição, proa, velocidade, alvos ARPA e alvos AIS. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

          

                       

ECDIS (Equipamentos de Cartas Eletrônicas) e Consoles Controle de Posicionamento Dinâmico

  

 

Tipos de Navios que utilizam Sistemas de Posicionamento Dinâmico:

 

 

ü  Navios supridores (OSV);

ü  Navios de manuseio de âncora e reboque (AHTS);

ü  Navios de passageiros;

ü  Mega-iates;

ü  Navios de carga;

ü  Navios de pesquisa/sísmica;

ü  Embarcações de combate a incêndio;

ü  Navios de lançamento de linhas;

ü  Balsas-guindaste.

 

 

A Instalação Portuária

 

Cada país conveniado deverá assegurar a existência de uma avaliação da segurança portuária para cada porto ou instalação que atenda a navios engajados em viagens internacionais. A avaliação da segurança da instalação portuária é fundamentalmente uma analise de risco de todos os aspectos operacionais de uma instalação, cujo objetivo é determinar quais de suas partes são mais suscetíveis e/ou mais prováveis de sofrerem ataques terroristas. O risco à segurança é percebido como função da ameaça do ataque, aliada à vulnerabilidade do alvo e às conseqüências desse ataque.

 

Ao completar a análise, será possível produzir uma avaliação geral do nível de risco. A avaliação da segurança da instalação ajudará a determinar quais instalações deverão designar um oficial de segurança da instalação para preparar o plano de segurança da instalação. Este plano deverá indicar as medidas de segurança física e operacional para garantir que a instalação sempre opere sob o nível 1 de segurança. O plano deverá também indicar as medidas de segurança adicionais ou intensificadas que a instalação deva tomar, caso tenha que operar no nível 2 de segurança, quando assim instruída. Deverá também indicar as ações preparatórias possíveis que a instalação deverá tomar, para uma pronta resposta a instruções que sejam emitidas para operação ao nível 3 de segurança.

 

Navios que utilizam estas instalações estarão sujeitos ao controle reitor do porto e a medidas adicionais de controle. As autoridades locais poderão requisitar informações relativas ao navio, a sua carga, passageiros e tripulação, antes de seu ingresso ao porto. Poderá haver circunstâncias nas quais o ingresso ao porto venha a ser negado.

 

 

Responsabilidades dos Governos Conveniados

 

Serão várias essas responsabilidades, incluindo o estabelecimento do nível de segurança aplicável; a aprovação do plano de segurança do navio e emendas relevantes a plano previamente aprovado; verificação do cumprimento, pelo navio, das regulamentações das cláusulas da SOLAS Capítulo XI-2, da Parte A do Código ISPS, bem como a emissão de Certificado Internacional de Segurança Marítima, determinando quais instalações portuárias dentro do seu território deverão designar um Oficial de segurança de instalação portuária; assegurar a elaboração e a aprovação da avaliação e do plano de segurança da instalação portuária, e quaisquer emendas subseqüentes; e exercer o controle e cumprimento das medidas. Os Governos Conveniados também responderão pela comunicação das informações à IMO e às industrias marítima e portuária.

 

 

ISPS CODE no Brasil

 

No Brasil, a implantação do Código ISPS é avaliada e chancelada pelo governo federal, por intermédio da Conportos. O colegiado é presidido pelo Ministério da Justiça e composto pelos Ministérios da Defesa (representado pelo Comando da Marinha), Fazenda, Relações Exteriores e Transportes. Novos portos ou terminais privados que ingressarem no comércio exterior serão submetidos a todas as fases de certificação.

 

Os 162 países signatários da IMO, incluindo o Brasil, se comprometeram com um novo conceito mundial: uniformizar as ações por parte dos governos, a fim de que reflitam, tanto na segurança quanto no mercado internacional.

 

No território brasileiro existem 232 instalações portuárias (portos e terminais) que atuam no comércio exterior e que são obrigados a implantar o Código ISPS. O treinamento contemplará os pontos principais do Código ISPS, buscando a integração entre teoria e prática, por meio de debates, discussões em grupo, estudo de casos e exercícios. A Conportos vai capacitá-los para combater ou reagir às ameaças atuais contra a segurança, como a pirataria, ataques à mão armada, terrorismo, contrabando, roubo de cargas e os danos colaterais quando ocorrem incêndios, explosões ou ataques nas proximidades de um navio. Além do aprendizado, esses profissionais serão os principais multiplicadores da nova cultura de segurança estabelecida nos portos nacionais, interagindo com agentes públicos, privados, oficiais de proteção de navios e oficiais de empresas de navegação.

 

 

 

 

 

 

ÁREAS DE ALTO RISCO PORTUÁRIO NO MUNDO

 

 

NOVA ÓRLEANS – EUA

 

 

 

 

 

 

REGIÃO METROPOLITANA DE NOVA IÓRQUE

 

 

 

 

 

 

 

CANAL DO PANAMÁ

 

    

       

   

 

 

 

 

Veja alguns detalhes interessantes do Canal do Panamá, atualmente em reformas de alargamento de suas eclusas, para permitir a travessia dos mais recentes navios gigantes, e que custou, em valores atualizados, cerca de sete bilhões de dólares:

 

 

  • Extensão:
  • Cerca de 83 kms

 

  • Capacidade:      
  • Navios de 290 metros de comprimento, 32 de largura e 12 de calado.

 

  • Travessia:
  • 24 horas é o tempo médio

 

  • Volume:   
  • 300 milhões de toneladas anuais (e crescendo…) via 16.000 navios/ano.

 

  • Receita:   
  • Média de 800 milhões de dólares por ano em pedágios de navios

 

  • Turismo:   
  • Média 350 mil visitantes anuais

 

  • Zona Franca:    
  • Segunda maior zona franca do mundo, depois de Hong Kong.

 

 

OUTRAS REGIÕES DE ALTO RISCO NO MUNDO:

 

  • GIBRALTAR, DOVER-CALAIS, CANAL DE KIEL, MAR DO NORTE.
  • PRINCIPAIS PORTOS AMERICANOS (NY, MIAMI, HOUSTON, LA, TAMPA)
  • ESTREITOS DE BÓSFORO E DARDANELOS (TURQUIA)
  • PLATAFORMAS DE PETRÓLEO NO MAR DO NORTE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ÁREAS DE ALTO RISCO NO BRASIL

 

 

 

COMPLEXO PORTUÁRIO DE SANTOS

 

 

 

 

 

 

 

BACIA DE CAMPOS – RJ (PLATAFORMAS DE PETRÓLEO)

 

 

 

 

 

  

 
 

 

TIPOS DE NAVIOS E RISCOS POTENCIAIS

 

 

NAVIOS “FULL-CONTAINER”

 

 

 

 

 

Navio porta-container carrega todo tipo de carga que possa ser protegida por contêineres cujas dimensões internas variam de 30 a 65 metros cúbicos (equivalentes entre 18 e 30 toneladas). Vários tipos de explosivos podem ser camuflados ou escondidos em mercadorias que estão sendo legalmente exportadas ou importadas.

 

 

NAVIOS QUÍMICOS E PETROLEIROS

 

 

       

 

 

 

 

 

 

 

Navios químicos e petroleiros são verdadeiras “bombas navegantes”. Os próprios navios podem ser usados como equipamento de destruição de portos e cidades. Um navio petroleiro seqüestrado por terroristas pode provocar poluição ambiental severa ou fechamento de entradas e saídas de portos de grande movimento.

 

Pode, ainda, desativar a operação de um porto de grande volume de cargas por semanas ou meses, comprometendo o abastecimento geral de comida, combustíveis e produtos farmacêuticos (como vacinas, remédios em geral, equipamentos hospitalares), quebrando a inércia e o fluxo do comércio mundial atual, com conseqüências caóticas à população mundial.  

 

 

 

 

 

 

               

Situação Real de Combate à Poluição por Óleo

 

 

 

 

Os navios modernos possuem o Calculador de Carga, mas o software, em mãos erradas, pode ser uma arma eficaz nas mãos de um terrorista que pretende dar ares de acidente em uma operação marítima. A quilha de um navio funciona como uma gangorra: se existir excesso de pesos nas extremidades, ou no meio, parte-se com facilidade.

 

Este programa faz todos os cálculos necessários de bordo, além do carregamento do navio,  sua estabilidade e esforços. O sistema de Informação da Carga contém dados das propriedades de carga e compatibilidade. Ele foi desenvolvido para assegurar a integração das propriedades físicas dos líquidos no modelo matemático. 

 

 

 

NAVIOS DE GÁS NATURAL LIQUEFEITO (LNG)

 

 

Navios que transportam gás liquefeito são alvos potenciais. O resultado será catastrófico se um navio destes, por exemplo, que atracam com freqüência no porto de Boston (EUA), cair em mãos terroristas. O navio da foto carrega 33 milhões de galões de gás liquefeito natural. Basta multiplicar cada galão por 3,785412 para achar o equivalente em litros. Cada manobra deste tipo de navio é acompanhada de perto pela Guarda-Costeira americana em todos os portos dos Estados Unidos. O mesmo ocorre em outros países de risco. 

 

 

 

 

 

Navio-tanque Inigo Tapias

 

 

 

 

ALGUNS DESASTRES MARÍTIMOS RECENTES, SEM AÇÕES TERRORISTAS…

 

                    

 

 

                                       

 

 

Note que se estes “pequenos” acidentes já causam problemas de abastecimento, de impacto ambiental e econômico, mesmo que regionalmente. Imagine os acidentes com intenções terroristas!

 

 

 

 

Terrorismo e Contra-Terrorismo

 

 

 

 

 

Assistimos em vários filmes de cinema o velho dilema entre o bom e o mau, o bandido e o mocinho, o vilão e o salvador. Na maioria das vezes, pelo menos nos filmes de ação, o mocinho vence o bandido e todos ficam felizes para sempre.

 

No mundo real, o final nem sempre é feliz. Exemplo recente na navegação foi o ataque terrorista ao navio de guerra americano, o contratorpedeiro USS Cole (DDG 67), no Iêmen do Sul. Um simples barquinho com seis suicidas colidiram com um navio de guerra e o explodiram parcialmente. Os militares americanos que estavam no convés, armados com seus fuzis de assalto M4 e M-16 Viper, não dispararam contra o pequeno barco por questões de regulamento interno dos procedimentos de segurança, pois, teoricamente, nada poderia invadir o raio de isolamento de quarenta metros do próprio navio, que se encontrava em águas abrigadas, em pleno porto de Áden.  

                       

 

USS Cole (DDG 67)

 

 

 

 

USS Cole sendo transportado pelo navio-doca norueguês

 

 

 

 

 

A maioria dos países ocidentais possui seus órgãos de Inteligência que se subdivide em dois grupos: o grupo da Informação e o grupo da Contra-Informação. Enquanto o primeiro se empenha em conseguir informações sigilosas para sua segurança, em busca de informações de movimentação de pessoas materiais potencialmente perigosos, o segundo encarrega-se de plantar e disseminar informações desatualizadas ou erradas com o objetivo de confundir e induzir ao erro, desestimulando uma provável agressão. Ambos grupos fazem uso de inúmeros satélites, imagens, fotos, fontes de espionagem e contra-espionagem, Internet, etc.

 

Uma das características de um ato terrorista é a sua imprevisibilidade aliada à sua arbitrariedade. O ato terrorista ocorre repentinamente e um local previamente selecionado (dado à suas características à “causa”) ou em diversos locais, sem aviso prévio, provocando  pânico pela sensação de insegurança, como se a vulnerabilidade da sociedade fosse permanente.

 

A maioria dos grupos terroristas assume sua autoria nos atentados logo após praticá-los. Com isto, atraem a atenção da mídia que, na intenção da cobertura jornalística do fato, acaba  reforçando o poder do medo daquele grupo. Isto acaba dificultando a reação das autoridades. Ataques simultâneos a alvos diferentes elevam o nível de estresse das forças policiais, que aguardam uma próxima ação… Mas em local indeterminado.

 

No Brasil, um grupo de marginais razoavelmente organizados em um grupo criminoso, conhecida como PCC, organização próxima a um grupo terrorista no seu formato clássico, recentemente realizou em São Paulo uma série de atentados contra as forças policiais do Estado com o claro objetivo de desestabilizar o governo estadual. Evoluir a partir deste ponto para posições mais radicais e violentas, não será muito difícil. A falta de programas de  inclusão social, a falta de tecnologia e recursos humanos na inteligência policial, a falta de aparelhamento e treinamento das forças policiais e militares e a falta de uma legislação penal atualizada, são possíveis incentivos ao aumento de atos criminosos no Brasil. 

 

A legislação penal brasileira deve incluir e definir o que é terrorismo e quais as práticas que são consideradas ações terroristas. Caso contrário, juridicamente, o terrorismo não existe. Um anteprojeto de lei contra o terrorismo foi enviado recentemente pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) para análise do Ministério da Justiça. A proposta de lei ainda não define terrorismo e, sim, uma lista de crimes cometidos com a finalidade de infundir estado de pânico ou insegurança na sociedade, para intimidar o Estado, organização internacional ou pessoa jurídica.

 

A lei deverá ser muito severa e só deverá ser aplicada em casos extremos. Já houve situações, como a invasão do Congresso, em que o Ministério Público considerou a ação tão grave que recorreu à Lei de Segurança Nacional, e não ao Código Penal, que é de 1940. Isto precisa de atenção imediata.

 

Se aprovada, a nova lei vai punir com maior rigor “atos terroristas”, apesar de não definir o que é terrorismo. Além de serem mais rigorosas, as penas são cumulativas. Se alguém cometer um atentado utilizando material nuclear, será aplicada uma pena. Se isso resultar em mortes, ela será mais severa. E se forem envolvidas embarcações ou aviões militares, por exemplo, a pena é acrescida em mais um terço.

 

O que o PCC fez recentemente no Estado de São Paulo fica em uma zona cinzenta na legislação atual. Não poderíamos usar o termo “crime organizado”, pois não existe juridicamente. Nem como ações terroristas, mesmo sabendo que as ações do PCC podem ser chamadas de terroristas, pois as características estão em conformidade com a classificação internacional de terrorismo. É cedo para afirmar que o PCC tenha inaugurado no Brasil o que especialistas chamam de terrorismo doméstico. Mas é necessário criar uma legislação penal que defina o que é terrorismo e quais as ações consideradas como tal.



 

 

Bibliografia, fotos e matérias similares estão disponíveis na Internet:

 

  • IMO, ISPS CODE, SOLAS 74 (ONU).
  • Petrobrás
  • MSC
  • GRIMALDI
  • SEA-LAND
  • CROWLEY
  • ENCARTA
  • CANAL DO PANAMA PORT AUTHORITY
  • NYC NEW JERSEY PORT AUTHORITY
  • NEW ORLEANS PORT AUTHORITY
  • PORTO DE SANTOS
  • GOVERNO DO BRASIL
  • SINDMAR

 

 

 

 

 

 

 

MARCELO JOSÉ DOTTA DA SILVA é natural de São Carlos, SP, e vem trabalhando, há vários anos, em empresas multinacionais de navegação marítima e logística internacional. Participou de vários eventos, seminários e treinamentos na área marítima, desde 1986, e tem vários certificados de cursos ligados à área de segurança militar e policial (dentre eles SRT, CQB, Chemical Weapons, armamentos leves, tiro de precisão, carga perigosa/IMDG, entre outros). Possui MBA & Pós-Graduação em Administração de Empresas pela Universidade Mackenzie desde 1991 e é Oficial de Náutica da Marinha Mercante Brasileira (Piloto) e também Oficial da Marinha de Guerra do Brasil (Corpo da Armada).

July 4, 2009 - 11:10 PM No Comments

11 de Junho - Batalha Naval do Riachuelo

 

 

 

 

Caro leitor, saudações marinheiras! Como provavelmente sabe, dia 11 de Junho é a data máxima para a Marinha do Brasil.

 

Abaixo incluo, para quem gosta de leitura sobre história, um pouco sobre a Guerra do Paraguai e o que foi a Batalha Naval do Riachuelo, neste contexto.  

  

No dia 11 de Junho de 1865, há 144 anos, uma sequência de ”atos hostis” levou o Brasil à Guerra do Paraguai, como única forma para a solução das divergências geopolíticas daquela realidade histórica. A guerra durou cinco anos. Sua grande duração foi justificada pela obstinação de D. Pedro II de ver Solano López derrotado por desprezá-lo ao considerá-lo mais um caudilho latino-americano (e, óbviamente, lavar a honra do Brasil, atacado pelas costas). Também se alegou que a irritação do nosso amado e culto Imperador D. Pedro II teria ocorrido após uma proposta de López para casar-se com a princesa Isabel, apesar da alegação de alguns historiadores de que isto nunca ocorreu e tratava-se de uma invenção de um autor norte-americano.

 

 

O comandante naval brasileiro na Batalha do Riachuelo, Almirante Francisco Manuel Barroso da Silva era português de nascimento, mas tornou-se brasileiro por força da Constituição imperial de 1824.  A Batalha Naval do Riachuelo é considerada, pelos historiadores, como uma batalha decisiva da Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai (1864-1870) - o maior conflito militar na América do Sul.

 

 

A importância da vitória nesta Batalha está ligada ao fato que, até aquela data, o Paraguai tinha a iniciativa na guerra e a vitória inverteu a situação do combate, garantiu o bloqueio e o uso pelo Brasil dos rios, que eram as principais artérias do teatro de operações de guerra.

 

 

A guerra começou em novembro de 1864, de modo inesperado, após a invasão das províncias de Mato Grosso e Rio Grande do Sul pelo Paraguai. O Brasil, despreparado para responder à agressão, já que nossos navios eram somente apropriados para mar aberto (inadequados para as características geográficas do teatro de operações, predominantemente fluvial), acabou gerando uma vantagem logística ao Paraguai, cuja potência e organização, como país, igualava-se (ou superava) a Inglaterra!

 

 

O Paraguai no século XIX era um país que destoava do conjunto latino-americano por ter alcançado um certo progresso econômico autônomo, a partir da independência em 1811. Durante os longos governos de José Francía (1811-1840) e Carlos López (1840-1862), erradicara-se o analfabetismo no país e haviam surgido fábricas — inclusive de armas e pólvora –, indústrias siderúrgicas, estradas de ferro e um eficiente sistema de telégrafo. As “estâncias da pátria” (unidades econômicas formadas por terras e instrumentos de trabalho destribuídos pelo Estado aos camponeses, desde o governo Francía) abasteciam o consumo nacional de produtos agrícolas e garantiam à população emprego e invejável padrão alimentar.

 

 

Nesse quadro de relativo sucesso socioeconômico e de autonomia internacional, Solano López, cujo governo iniciou-se em 1862, enfatizou a política militar-expansionista, a fim de ampliar o território paraguaio. Pretendia criar o “Paraguai Maior”, anexando, para isso, regiões da Argentina, do Uruguai e do Brasil (como Rio Grande do Sul e Mato Grosso). Obteria, dessa forma, acesso ao Atlântico, tido como imprescindível para a continuação do progresso econômico do país. Aqui fica reforçada a tese de que Solano López teria pedido a mão da Princesa Isabel em casamento, pensando no expansionismo.

 

 

O Brasil, agindo de acordo com a sua política externa, foi o primeiro país a reconhecer a independência do Paraguai. Isso devia-se ao fato do império não ser favorável à almejada anexação do território paraguaio, pela Confederação Argentina. 

 

 

Entre o Brasil e o Paraguai, havia questões de limites, mas era improvável que tais divergências levassem a um conflito armado. A intervenção brasileira no Uruguai, em 1864, no entanto, contrariou os planos políticos e as alianças de Solano Lopez. Ele considerou que a invasão do Uruguai, por tropas brasileiras, era um ato de guerra do Brasil contra os interesses do Paraguai e iniciou as hostilidades. Como lhe fora negada a permissão para que seu exército atravessasse o território argentino para atacar o Rio Grande do Sul, Lopez invadiu a Província de Corrientes, envolvendo a Argentina no conflito. 

 

 

Além disto, a expansão econômica paraguaia prejudicava os interesses ingleses na região (portanto os americanos aprenderam algo com eles…), na medida em que reduzia o mercado consumidor paraguaio para seus produtos. Havia, ainda, a ameaça de que o país eventualmente se transformasse em exportador de manufaturados ou que seu modelo de desenvolvimento autônomo e independente pudesse servir de exemplo para outros países da região, principalmente ao Brasil, país continente e populoso. Dessa forma, a Inglaterra tinha sólidos interesses que justificavam estimular e financiar uma guerra contra o Paraguai (antes que tivesse que fazer com algum país maior).

 

 

Usando como pretexto a intervenção brasileira no Uruguai e contando com um exército bem mais numeroso que o do oponente brasileiro, Solano López tomou a ofensiva ao romper relações diplomáticas com o Brasil, em 1864. Logo depois, como medida complementar, ordenou o aprisionamento do navio brasileiro Marquês de Olinda, no rio Paraguai, retendo, entre seus passageiros e tripulantes, o presidente da província do Mato Grosso, Carneiro de Campos. A resposta brasileira foi a imediata declaração de guerra ao Paraguai.

 

 

Em 1865, mantendo-se na ofensiva, o Paraguai havia invadido o Mato Grosso e o Norte da Argentina, e os governos do Brasil, Argentina e Uruguai criaram a Tríplice Aliança contra Solano López.

 

 

Apesar de as primeiras vitórias da guerra terem sido paraguaias, o país não pôde resistir a uma guerra prolongada. A população paraguaia era muito menor que a dos países da Tríplice Aliança e, por maior que fosse a competência do exército paraguaio, a ocupação militar dos territórios desses países era fisicamente impossível, enquanto o pequeno Paraguai podia ser facilmente ocupado pelas tropas da Aliança. Finalmente, Brasil, Argentina e Uruguai contavam com o apoio inglês, recebendo empréstimos para equipar e manter poderosos exércitos.

 

 

O Paraguai estava se mobilizando para uma possível guerra desde o início de 1864. Lopez se julgava mais forte e acreditava que teria o apoio do Partido Blanco uruguaio e dos partidários argentinos de Justo José de Urquiza, que exercia o poder na província argentina de Entre Rios. Tal não ocorreu. Sua derrota em Riachuelo acabou com a possibilidade de uma vitória rápida. Seus possíveis aliados não aderiram. Ele, também, superestimou o poder econômico e militar do Paraguai e subestimou o potencial e a disposição do Brasil para a luta. 

 

 

No início da Guerra da Tríplice Aliança, a Esquadra brasileira dispunha de 45 navios armados. Destes, 33 eram navios de propulsão mista, a vela e a vapor, e 12 dependiam exclusivamente do vento. O Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (Arsenal da Corte) passara por uma modernização em meados do século XIX. Diversos dos navios do início da guerra foram projetados e construídos no País. 

 

 

Os navios brasileiros eram adequados para operar no mar e não nas condições de águas restritas e pouco profundas que o teatro de operações nos rios Paraná e Paraguai exigia; a possibilidade de encalhar era um perigo sempre presente. Além disso, esses navios, possuíam casco de madeira, o que os tornava muito vulneráveis à artilharia de terra, posicionada nas margens.  Daí surgiu a idéia do navio com casco de aço, o encouraçado, projeto rapidamente surrupiado e patenteado pelos ingleses.

 

 

A Esquadra paraguaia possuía 32 navios, incluindo os que eles apresaram do Brasil e da Argentina, dos quais 24 eram navios de propulsão mista a vapor e vela e oito eram navios exclusivamente a vela. Todos os navios de propulsão mista, exceto um deles, eram de madeira, com rodas de pás. Embora todos eles fossem adequados para navegar nos rios, somente o Taquari era um verdadeiro navio de guerra. 

 

 

Os paraguaios desenvolveram, então, a chata com canhão como arma de guerra. Era um barco de fundo chato, sem propulsão, com canhão de seis polegadas de calibre, que era rebocado até o local de utilização, onde ficava fundeado. Transportava apenas a guarnição do canhão, e sua borda ficava próxima da água, deixando à vista um reduzidíssimo alvo. Via-se somente a boca do canhão, acima da superfície da água. Muito inteligente e mortal em batalha.  

 

 

Coube ao Almirante Joaquim Marques Lisboa, Visconde de Tamandaré, depois Marquês de Tamandaré, o comando das Forças Navais do Brasil em Operações de Guerra contra o Governo do Paraguai. A Marinha do Brasil representava praticamente a totalidade do Poder Naval presente no teatro de operações. O Comando-Geral dos Exércitos Aliados era exercido pelo Presidente da República da Argentina, General Bartolomeu Mitre. As Forças Navais do Brasil não estavam subordinadas a ele, de acordo com o Tratado da Tríplice Aliança.

 

 

A estratégia naval adotada pelos aliados foi o bloqueio. Os rios Paraná e Paraguai eram as artérias de comunicação com o Paraguai. As Forças Navais do Brasil foram organizadas em três Divisões - uma permaneceu no Rio da Prata e as outras duas subiram o Rio Paraná para efetivar o bloqueio.  

 

 

Com o avanço das tropas paraguaias ao longo da margem esquerda do Paraná, Tamandaré resolveu designar seu Chefe do Estado-Maior o Chefe-de-Divisão (posto que correspondia a Comodoro, em outras Marinhas) Francisco Manoel Barroso da Silva, para comandar a força naval que estava rio acima. Barroso partiu de Montevidéu em 28 de abril de 1865, na Fragata Amazonas, e se juntou à força naval em Bela Vista. 

 

 

A primeira missão de Barroso foi um ataque à Cidade de Corrientes, que estava ocupada pelos paraguaios. O desembarque ocorreu, com bom êxito, em 25 de maio. Não era possível manter a posse dessa cidade na retaguarda das tropas invasoras e foi preciso, logo depois, evacuá-la. Ficou evidente que a presença da força naval brasileira deixaria o flanco dos invasores sempre muito vulnerável. Era necessário destruí-la, e isso motivou Solano López a planejar a ação que levaria à Batalha Naval do Riachuelo. 

 

 

A Força Naval Brasileira comandada por Barroso (da Silva), estava fundeada no Rio Paraná próximo à Cidade de Corrientes, na noite de 10 para 11 de junho de 1865.  O plano paraguaio era surpreender os navios brasileiros na alvorada do dia 11 de junho, abordá-los e, após a vitória, rebocá-los para Humaitá. Para aumentar o poder de fogo, a força naval paraguaia, comandada pelo Capitão-de-Fragata Pedro Ignácio Mezza, rebocava seis chatas com canhões.

 

 

A Ponta de Santa Catalina, próxima à foz do Riachuelo, foi artilhada pelos paraguaios. Havia, também, tropas de infantaria posicionadas para atirar sobre os navios brasileiros que escapassem.  No dia 11 de junho, aproximadamente às 9 horas, a força naval brasileira avistou os navios paraguaios descendo o rio e se preparou para o combate. Mezza se atrasara e desistiu de iniciar a batalha com abordagem.

 

 

Às 9 horas e 25 minutos, dispararam-se os primeiros tiros de artilharia. A força paraguaia passou pela brasileira, ainda imobilizada, e foi se abrigar junto à foz do Riachuelo, onde ficou aguardando.  Após suspender, a força naval brasileira desceu o rio, perseguindo os paraguaios, e avistou-os parados nas proximidades da foz do Riachuelo. 

 

 

Desconhecendo que a margem estava artilhada, Barroso deteve sua capitânia, a Fragata Amazonas, para cortar possível fuga dos paraguaios. Com sua manobra inesperada, alguns dos navios retrocederam, e o Jequitinhonha encalhou em frente às baterias de Santa Catalina. O primeiro navio da linha, o Belmonte, passou por Riachuelo separado dos outros, sofrendo o fogo concentrado do inimigo e, após passar, encalhou propositadamente, para não afundar. 

 

 

Corrigindo sua manobra, Barroso, com a Amazonas, assumiu a vanguarda dos outros navios brasileiros e efetuou a passagem, combatendo a artilharia da margem, os navios e a chatas, sob a fuzilaria das tropas paraguaias que atiravam das barrancas.  Completou-se assim, aproximadamente às 12 horas, a primeira fase da Batalha.

 

 

Até então, o resultado era altamente insatisfatório para o Brasil: o Belmonte fora de ação, o Jequitinhonha encalhado para sempre e o Parnaíba, com avaria no leme, sendo abordado e dominado pelo inimigo, apesar da resistência heróica dos brasileiros, como o Guarda-Marinha Greenhalgh e o Marinheiro Marcílio Dias, que lutaram até a morte. 

 

 

Então, Barroso decidiu regressar. Desceu o rio, fez a volta com os seis navios restantes e, logo depois, estava novamente em Riachuelo.  Tirando vantagem do porte da Amazonas, Barroso usou seu navio para abalroar e inutilizar navios paraguaios e vencer a Batalha. Quatro navios inimigos fugiram perseguidos pelos brasileiros.  Antes do pôr-do-sol de 11 de junho, a vitória era brasileira. A Esquadra paraguaia fora praticamente aniquilada e não teria mais participação relevante no conflito. Estava, também, garantido o bloqueio que impediria que o Paraguai recebesse armamentos do exterior. Foi a primeira grande vitória da Tríplice Aliança na guerra e, por isto, muito comemorada. 

 

 

A vitória brasileira do almirante Barroso (da Silva) na Batalha de Riachuelo, já em 1865, levou à destruição da frota paraguaia. A partir daí, as forças da Tríplice Aliança passaram a ter a iniciativa na guerra, controlando rios, principais meios de comunicação da bacia platina.

 

 

Com a vitória em Riachuelo, com a retirada dos paraguaios da margem esquerda do Paraná e a rendição dos invasores em Uruguaiana, a opinião dos aliados era de que a guerra terminaria logo. Isso, porém, não ocorreu. O Paraguai era um país mobilizado e Humaitá ainda era uma fortaleza inexpugnável para os navios de madeira que venceram a Batalha Naval do Riachuelo. A guerra foi longa, difícil e causou muitas mortes e sacrifícios. 

 

 

No decorrer da luta, na Capitânia de Barroso, a Fragata Amazonas, foram içados numerosos sinais, transmitindo ordens aos demais comandantes brasileiros. Dois deles foram especialmente célebres: “O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever”  e  “Sustentar o fogo que a vitória é nossa”.

 

 

Anualmente, no dia 11 junho, a Marinha do Brasil comemora o grande feito do Almirante Barroso (da Silva!) na Batalha Naval do Riachuelo, ocasião em que são içados nos mastros de todos os navios e organizações de terra os históricos sinais utilizados pelo Chefe Naval durante o confronto.

 

 

Apesar de todas as limitações, o Paraguai resistiu heroicamente a quase cinco anos de guerra, mostrando o grau relativamente alto de desenvolvimento e auto-suficiência que havia obtido, além do engajamento da sua população em defesa do país.

 

 

O maior contigente das tropas da Aliança foi fornecido pelo exército brasileiro, que até então praticamente inexistia. Como sabemos, a Guarda Nacional cumpria, ainda que mal, as funções normalmente destinadas ao exército. Diante de uma tropa bem-organizada e treinada como a paraguaia, era necessária uma nova força armada para o Brasil. O reduzido corpo de oficiais profissionais do exército brasileiro encarregou-se dessa função com bastante sucesso, ainda que isso demandasse tempo.

 

 

Para ampliar o contigente de soldados, em novembro de 1866 foi decretado que os escravos voluntariamente se apresentassem para lutar na guerra obteriam a liberdade. Muitos se alistaram dessa maneira, mas alguns foram obrigados a fazê-lo no lugar dos filhos de seus senhores que haviam sido recrutados. Isto não será diferente nos conflitos futuros!

 

 

No mesmo ano, o Brasil alcançou expressiva vitória na batalha de Tuiuti. Luís Alves de Lima e Silva, barão de Caxias, assumiu o comando das forças militares imperiais, vencendo rapidamente importante batalhas como as de Itororó, Avaí, Angosturas e Lomas Valentinas, chamadas “dezembradas” por terem acontecidos no mês de dezembro de 1868. Essas batalhas abriram caminho para a invasão de Assunção, capital paraguaia, tomada em janeiro de 1869. O conde D’Eu, genro do imperador, liderou a última fase da guerra, conhecida como campanha da Cordilheira, completada com a morte de Solano López em 1870.

 

 

A guerra devastou o território paraguaio, desestruturando sua economia e causando a morte de cerca de 75% da população (aproximadamente 600 mil mortos). Acredita-se que a guerra foi responsável pela morte de mais de 99% da população masculina com mais de 20 anos, sobrevivendo a população formada, predominantemente, por velhos, crianças e mulheres.

 

 

Além das mortes em combate, foram devastadoras as epidemais, principalmente a de cólera, que atingiram os homens de ambos os lados da guerra. Acrescente-se, ainda, que os governos da Tríplice Aliança adotaram uma política genocida contra a população paraguaia.

 

 

Para o Brasil, além da morte de aproximadamente 40 mil homens (sobretudo negros), a guerra trouxe forte endividamento em relação à Inglaterra. Apontada como a principal beneficiária do conflito, forneceu armas e empréstimos, ampliando seus negócios na região e acabando com a experiência econômica paraguaia.

 

 

O Brasil conseguiu a manutenção da situação na bacia Platina, embora a um preço exorbitantemente alto.

 

 

Mas a principal conseqüência da Guerra do Paraguai foi o fortalecimento e a institucionalização do exército (que derrubou o Imperador D.Pedro II, o maior dos brasileiros), com o surgimento de um grande e disciplinado corpo de oficiais experientes, pronto a defender os interesses da instituição.

 

 

Além disso, seu poder bélico tornava-o uma organização capaz de impor suas idéias a força, caso necessário, acrescentando uma dose de instabilidade ao regime imperial, o que acabou por acontecer com o incidente (golpe) de 15 de Novembro de 1889:  a impopular República (a que vivemos até hoje). 

 

Alguns historiadores afirmam que a República foi maquiavelicamente arquitetada pelo alagoano Floriano Peixoto, e seu títere, outro alagoano, Deodoro da Fonseca, com a colaboração na academia militar de um professor carioca, o Benjamin Constant, o “quase-suicida” (um desequilibrado, filho de uma desequilibrada, que acabou se tornando no Patrono da República).

 

 

Esperando que cada um dos brasileiros cumpra com o seu dever, ADSUMUS!

 

 

Sds marinheiras a todos,

 

MARCELO DOTTA DA SILVA

 
 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

Historiografia tradicional

  • CALMON, Pedro. História da Civilização Brasileira. Brasília: Senado Federal, 2002.
  • LIMA, Oliveira. O Império Brasileiro. São Paulo: Itatiaia, 1989.

Historiografia revisionista

Historiografia moderna

  • DORATIOTO, Francisco. Maldita guerra. São Paulo: Companhia das Letras, 2002
    .
  • BARMAN, Roderick. Citizen Emperor: Pedro II and the making of Brazil, 1825-91. Universidade de Stanford, 1999.
  • PEDROSA, J. F. Maya.A Catástrofe dos Erros. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 2004,
  • SALLES, Ricardo. Guerra do Paraguai: escravidão e cidadania na formação do exército. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990
  • SALLES, Ricardo. Guerra do Paraguai - memórias e imagens. Editora Miguel de Cervantes, 2003.
  • SCHWARCZ, Lilia Moritz. As Barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2002
  • VAINFAS, Ronaldo. Dicionário do Brasil Imperial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002

Notas

  1. PEDROSA, J. F. Maya.A Catástrofe dos Erros. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 2004, pg.16
  2. SALLES, Ricardo. Guerra do Paraguai: Memórias & Imagens. Rio de Janeiro: Bibilioteca Nacional, 2003, pg.13
  3. Cf. Ricardo Bonalume Neto em: Novas lições do Paraguai. Consulted in september 15, 2008.
  4. PEDROSA, J. F. Maya.A Catástrofe dos Erros. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 2004, pg.14
  5. Cf. Ricardo Bonalume Neto em: Novas lições do Paraguai. Consulted in september 15, 2008.
  6. SCHWARCZ, Lilia Moritz. As Barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, pg.301
  7. VAINFAS, Ronaldo, Dicionário do Brasil Imperial, Objetiva, 2002, pg.122
  8. SCHWARCZ, Lilia Moritz. As Barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, pg.301
  9. CARVALHO, José Murilo de. D. Pedro II. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, pg.116
  10. Cf. Ricardo Bonalume Neto em: Novas lições do Paraguai. Consulted in september 15, 2008.
  11. VAINFAS, Ronaldo, Dicionário do Brasil Imperial, Objetiva, 2002, pg.122
  12. DORATIOTO, Francisco, Maldita Guerra, Companhia das Letras, 2002
  13. PEDROSA, J. F. Maya.A Catástrofe dos Erros. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 2004, pg.15
  14. PEDROSA, J. F. Maya.A Catástrofe dos Erros. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 2004, pg.15
  15. DORATIOTO, Francisco, Maldita Guerra, Companhia das Letras, 2002
  16. PEDROSA, J. F. Maya.A Catástrofe dos Erros. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 2004, pg.16
  17. Cf. Ricardo Bonalume Neto em: Novas lições do Paraguai. Consulted in september 15, 2008.
  18. PEDROSA, J. F. Maya.A Catástrofe dos Erros. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 2004, pg.16
  19. SALLES, Ricardo. Guerra do Paraguai: Memórias & Imagens. Rio de Janeiro: Bibilioteca Nacional, 2003, pg.14
  20. DORATIOTO, Francisco, Maldita Guerra, Companhia das Letras, 2002
  21. Cf. Ricardo Bonalume Neto em: Novas lições do Paraguai. Consulted in september 15, 2008.
  22. VAINFAS, Ronaldo, Dicionário do Brasil Imperial, Objetiva, 2002, pg.123
  23. SCHWARCZ, Lilia Moritz. As Barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, pg.301
  24. PEDROSA, J. F. Maya.A Catástrofe dos Erros. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 2004
  25. Cf. Ricardo Bonalume Neto em: Novas lições do Paraguai. Consulted in september 15, 2008.
  26. DORATIOTO, Francisco, Maldita Guerra, Companhia das Letras, 2002
  27. Cf. Ricardo Bonalume Neto em: Novas lições do Paraguai. Consulted in september 15, 2008.
  28. SALLES, Ricardo. Guerra do Paraguai: Memórias & Imagens. Rio de Janeiro: Bibilioteca Nacional, 2003, pg.14
  29. VAINFAS, Ronaldo, Dicionário do Brasil Imperial, Objetiva, 2002, pg.123
  30. SCHWARCZ, Lilia Moritz. As Barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, pg.301
  31. PEDROSA, J. F. Maya.A Catástrofe dos Erros. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 2004, pg.16
  32. Cf. Ricardo Bonalume Neto em: Novas lições do Paraguai. Consulted in september 15, 2008.
  33. DORATIOTO, Francisco, Maldita Guerra, Companhia das Letras, 2002
  34. DORATIOTO, Francisco, Maldita Guerra, Companhia das Letras, 2002, pg.87 e 88
  35. PEDROSA, J. F. Maya.A Catástrofe dos Erros. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 2004, pg.16 e 17
  36. PEDROSA, J. F. Maya.A Catástrofe dos Erros. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 2004, pg.18
  37. SCHWARCZ, Lilia Moritz. As Barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, pg.301
  38. DORATIOTO, Francisco, Maldita Guerra, Companhia das Letras, 2002
  39. VAINFAS, Ronaldo, Dicionário do Brasil Imperial, Objetiva, 2002, pg.123
  40. SCHWARCZ, Lilia Moritz. As Barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, pg.301
  41. CARVALHO, José Murilo de. D. Pedro II. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, pg.106
  42. SODRÉ, Nelson Werneck. Panorama do Segundo Império. 2. ed. Rio de Janeiro: GRAPHIA, 2004, pg.188
  43. DORATIOTO, Francisco, Maldita Guerra, Companhia das Letras, 2002, pg.95 e 96
  44. SITE OFICIAL DA MARINHA DO BRASIL

 

 

 

June 21, 2009 - 1:58 PM No Comments

Curiosidades sobre Jesus Cristo e sua época

 

 

 

 

 

Caro leitor, saudações marinheiras!  

 

Como provavelmente sabe, sou católico, apostólico, romano. Mas, confesso, frequento pouco as missas de domingo… apesar de entrar muito em igrejas, onde, muitas vezes sozinho, sinto-me muito bem, aproveitando o silêncio para “conversar” com meu grande amigo Jesus, a quem agradeço por tudo que tenho (com certeza, muito mais do que mereço).

 

Os textos abaixo servem para que você saiba o quanto leio sobre o tema, pesquisando alguns detalhes que a “primeira multinacional do mundo”, a Igreja Católica (minha igreja), muitas vezes sonega…

 

Portanto, espero que goste do que vai ler (se chegar a ler).

 

Divirta-se!

 

 

MARCELO DOTTA DA SILVA
marcelodotta@gmail.com

 

 

 

 

 

Os discípulos “oficiais” de Jesus foram 13… e seus apóstolos totalizam 16…

 

A palavra “discípulo” se refere a um “aprendiz” ou “seguidor”. Já a palavra “apóstolo” se refere a “alguém que é enviado”. Enquanto Jesus estava na Terra, os doze eram chamados discípulos. Os 12 discípulos seguiram Jesus Cristo, aprenderam com Ele, e foram treinados por Ele. Após a ressurreição e a ascensão de Jesus, Ele enviou os discípulos ao mundo (Mateus 28:18-20) para que fossem Suas testemunhas. Eles então passaram a ser conhecidos como os doze apóstolos. No entanto, mesmo quando Jesus ainda estava na Terra, os termos discípulos e apóstolos eram de certa forma usados alternadamente, enquanto Jesus os treinava e enviava para pregarem. Daí a “confusão” dos dois termos.
Os doze discípulos originais estão listados em Mateus 10:2-4:
“Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: primeiro, Simão, por sobrenome Pedro (1), e André (2), seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu (3), e João (4), seu irmão; Filipe (5) e Bartolomeu (6); Tomé (7) e Mateus (8), o publicano/coletor de impostos; Tiago, filho de Alfeu (9), e Tadeu (10); Simão, o Zelote (11), e Judas Iscariotes (12), que foi quem o traiu”.  
 
 
 

 

 

A Bíblia também lista os 12 discípulos/apóstolos em Marcos 3:16-19 e Lucas 6:13-16. Ao comparar as três passagens, há algumas pequenas diferenças. Aparentemente, Tadeu também era conhecido como “Judas, filho de Tiago” (Lucas 6:16). Simão, o Zelote também era conhecido como Simão, o cananeu. Judas Iscariotes, que traiu Jesus, e que os historiadores acreditam que era argentino (brincadeirinha…), foi substituído entre os doze apóstolos por Matias (veja Atos 1:20-26). 

 

Matias (13º) foi testemunha ocular de Jesus, do seu batismo no rio Jordão, até sua ressureição. Interessante lembrar que ele “disputou” a vaga com José (o Justo) e ganhou na moedinha… Sabia disto??

 

Bem, vamos mencionar cada um dos discípulos…

 

 

01.

André, o primeiro “Pescador de Homens”, irmão de Simão Pedro. André é tradução do grego Andreas, que significa “varonil”. Outras pistas do Evangelhos indicam que André era fisicamente forte, e homem devoto e fiel. André e Felipe apresentaram a Jesus um grupo de gregos (Jo 12.20-22). Por este motivo podemos dizer que eles foram os primeiros missionários estrangeiros da fé cristã. Pregou primariamente na Macedônia, Ásia e foi martirizado em Patras. Foi crucificado numa cruz em forma de “X”, símbolo religioso conhecido como Cruz de Sto André.

 

02.

Simão Pedro, chamado de “o príncipe dos apóstolos”, irmão de André. Era um homem de contrastes. Seu temperamento volátil, imprevisível, muitas vezes o deixou em dificuldades. Mas, o Espírito Santo o moldaria num líder, dinâmico, da igreja primitiva, um “homem-rocha” (Pedro significa “rocha”) em todo o sentido. A tradição diz que a Basílica de São Pedro em Roma está edificada sobre o local onde ele foi sepultado. Escavações modernas sob a antiga igreja exibem um cemitério romano muito antigo e alguns túmulos usados apressadamente para sepultamentos cristãos. Segundo a tradição foi crucificado em Roma, de cabeça para baixo, a seu pedido, pois dizia não ser digno de morte semelhante a Jesus.

 

03.

João, o apóstolo bem-amado (o mais jovem e impulsivo), irmão de Tiago (Maior)… e primo de Jesus? Apesar de ser o mais conhecido dos discípulos de Jesus pelos fariseus e romanos, foi o único que permaneceu em frente a Jesus durante a crucificação, e o único que não foi assassinado, vivendo até velhice, depois de tentarem matá-lo mergulhando-o em óleo fervente. Foi o que mais escreveu sobre Jesus e foi quem cuidou de Maria, a mãe de Jesus. Se realmente era filho de Salomé, irmã de Maria, era primo de sangue de Jesus.  

 

04.

Tiago (Maior), irmão de João… e primo de Jesus? Morreu decapitado por espada, ainda muito jovem, por ordem de Herodes Agripa, que tentava diminuir a “onda cristã” matando seus líderes. Acabou gerando justamente o contrário. Era “tutor” do irmão menor, João, mas igualmente impulsivo. Dizem que junto com João, pediu a Jesus para se sentarem à direita e à esquerda dele, respectivamente… o que teria irritado os outros discípulos.

 

05.

Felipe (ou Filipe), o místico helenista, o piadista do grupo (o mais bem-humorado), era de Betsaida, Galiléia. O Evangelho de João é o único a dar-nos qualquer informação pormenorizada acerca de Felipe. É interessante notar que Jesus chamou a Felipe individualmente, enquanto chamou a maioria dos outros discípulos em pares. Felipe apresentou Natanael Bartolomeu a Jesus (Jo 1.45-51), e Jesus também o chamou a seguí-lo. A igreja tem preservado/reservado muitas traduções a respeito de seu último ministério e de sua morte. Morreu provavelmente na Frígia (atual Turquia), aparentemente açoitado e crucificado em 54 d.C. .  

 

06.

Natanael Bartolomeu, o viajante, traduziu o evangelho de Mateus para um dos idiomas indianos e na Índia foi açoitado, esfolado e crucificado de cabeça para baixo. Temos poucas informações históricas sobre ele. Continuo pesquisando…

 

07.

Tomé, o ascético (devoto, místico). João diz-nos que ele também era chamado Dídimo (Jo 20.24), palavra grega para “gêmeos”, assim como a palavra hebraica t’hom significa “gêmeo”. A Vulgata Latina empregava Dídimo como nome próprio. Não sabemos ao certo quem pode ter sido Tomé, nem sabemos coisa alguma a respeito do passado de sua família ou de como ele foi convidado para unir-se a Jesus. Sabemos, contudo, que ele juntou-se a seis outros discípulos que voltaram aos barcos de pesca depois que Jesus foi crucificado (Jo 21.2-3). Isso sugere que ele pode ter aprendido a profissão de pescador quando jovem. Diz a tradição que Tomé finalmente tornou-se missionário na Índia. Afirma-se que ele foi martirizado ali (transpassado por uma lança) e sepultado em Mylapore, hoje subúrbio de Madrasta. Seu nome é lembrado pelo próprio título da igreja Martoma ou “Mestre Tome”.

 

08.

Levi Mateus, o publicano de Herodes Antipas, arrecadador de impostos de Roma, filho de Alfeu e provável irmão de Tiago. Nasceu em Nazaré, Galiléia. Era da “Receita Federal” daquela época… e odiado por isto… Veja detalhes no texto que incluo abaixo. Foi martirizado na Etiópia e assassinado com uma alabarda (foice) em 60 d.C. … Seu nome era Levi mas Jesus passou a chamá-lo de Mateus… Seu evangelho foi originalmente escrito em hebraico e traduzido para o grego por Tiago (o Menor).

 

09.

Tiago (Menor), uns alegam que era filho de Alfeu e provável irmão de Levi Mateus. Outros de que seria um dos irmãos de Jesus, filho de José com outra mulher. Era muito parecido, fisicamente, com Jesus. Daí Judas Iscariotes ter que apontar quem era Jesus no horto… Morreu no Egito aos 99 anos, depois de espancado e apedrejado pelos judeus. Abriram-lhe o crânio com um garrote, um instrumento com que se executava a vítima num assento, preso a uma espécie de estaca na qual, em altura adequada, se prendia a corda destinada ao estrangulamento.

 

10.

Judas Tadeu, outro “primo” de Jesus? Alguns historiadores especulam que era um de seus irmãos (veja lista abaixo). O Novo Testamento refere-se a diversos homens com o nome de Judas - “Judas Iscariotes”; “Judas, irmão de Jesus” (Mt 13.55; Mc 6.3); “Judas, o galileu” (At 5.37) e “Judas, não o Iscariotes”. Evidentemente, João desejava evitar confusão quando se referia a esse homem, especialmente porque o outro discípulo chamado Judas (Iscariotes) não gozava de boa fama. O Historiador Eusébio diz que Jesus uma vez enviou esse discípulo ao rei Abgar da Mesopotâmia a fim de orar pela sua cura. Segundo essa história, Judas Tadeu foi a Abgar depois da ascensão de Jesus, e permaneceu para pregar em várias cidades da Mesopotâmia (Irã - Iraque - Kuwait). Diz outra tradição que esse discípulo foi assassinado por mágicos na cidade de Suanir, na Pérsia (atual Irã). Assassinado a pauladas e pedradas em 72 d.C.

 

11.

Simão, o Zelote (ou o Cananeu). Zelotes eram guerrilheiros palestinos que lutavam contra a dominação romana. Eram os “terroristas” daquela época. Muitos zelotes acreditavam que a vinda do messias (Jesus) estava ligada à sua liderança como líder militar e na vitória sobre Roma. Até Maria, mãe de Jesus, acreditava nisto no início… A maior resistência dos zelotes ocorreu em Massada (fortaleza em hebraico), quando se suicidaram horas antes da invasão das legiões do general romano, Flavius Silva. Foi crucificado em 74 d.C.

 

12.

Judas Iscariotes, o tesoureiro do grupo, o famoso traidor e o único judeu (da Judéia), pois todos os outros eram galileus (da Galiléia). A Palavra aramaica Iscariotes literalmente significa “homem de Queriote”. Queriote era uma cidade próxima a Hebrom (Js 15.25). Contudo, João diz-nos que Judas era filho de Simão (Jo 6.71). Se Judas era, de fato, natural desta cidade, dentre os discípulos, ele era o único procedente da Judéia. Os habitantes da Judéia desprezavam o povo da Galiléia como rudes colonizadores de fronteira. Essa atitude pode ter alienado Judas Iscariotes dos demais discípulos. Judas funcionava como tesoureiro dos discípulos (e não Levi Mateus, o que não deixa de ser curioso…), e pelo menos em uma ocasião ele manifestou uma atitude sovina para com o trabalho. Foi quando uma mulher por nome Maria derramou ungüento precioso sobre os pés de Jesus. Judas reclamou: “Por que não se vendeu este perfume por trezentos denários, e não se deu aos pobres?” (Jo 12.5). No versículo seguinte João comenta que Judas disse isto “não porque tivesse cuidado dos pobres; mas porque era ladrão.” Enquanto os discípulos participavam de sua última refeição com Jesus, o Senhor revelou saber que estava prestes a ser traído e indicou Judas como o criminoso. Disse ele a Judas: “O que pretendes fazer, faze-o depressa” (Jo 13.27). Todavia, os demais discípulos não suspeitavam do que Judas estava prestes a fazer. João relata que “como Judas era quem trazia a bolsa, pensaram alguns que Jesus lhe dissera: Compra o que precisamos para a festa da Páscoa…” (Jo13.28-29).

 

13.

Matias, substituto de Judas Iscariotes. Após a morte de Judas, Pedro propôs que os discípulos escolhessem alguém para substituir o traidor. Pedro sugeria certas qualificações para o novo apóstolo, que devia ter conhecido Jesus “começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas” ( At 1.15-22). Tinha de ser também, “testemunha conosco de sua ressurreição” (At 1.22). Dois homens satisfaziam estas qualificações: José, apelidado como Justo, e Matias (At 1.23). “Lançaram sortes” para decidir a questão e a sorte recaiu sobre Matias. O nome Matias é uma variante do hebraico Matatias, que significa “dom de Deus”. Infelizmente, a Bíblia nada diz a respeito do ministério de Matias. Nem sobre sua morte. Aparentemente foi apedrejado e decapitado em Jerusalém.

  

 

Vamos falar agora dos APÓSTOLOS… alguns deles não conheceram Jesus…

 

Após a traição de Judas Iscariotes, Matias (13º) foi escolhido pelos demais para ocupar seu lugar no colégio apostólico. Mais rigorosamente seria o 13º apóstolo e discípulo, pois acompanhou Jesus. Outro famoso apóstolo, Paulo de Tarso (ou Saulo de Tarso, 14º) o apóstolo dos gentios, não foi testemunha ocular de Jesus Cristo, mas convertido através de visões do Jesus ressuscitado, tornou-se um dos mais ardentes apóstolos do cristianismo. Seria o 14º da lista… contando desde o início…

 

Os primeiros quatro livros são sobre a vida, os ensinos e a morte de Jesus, e são designados de Os Evangelhos, que significa A Boa Nova. Eles foram escritos por Mateus, Marcos, Lucas (autor do Atos dos Apóstolos, o 5º Livro do Novo Testamento) e João, sendo que Mateus e João foram discípulos e apóstolos do Mestre e escreveram como testemunhas oculares. O Evangelho de Mateus é tido como o mais fiel aos fatos… 

 

Marcos (15º), denominado também como João Marcos, escreveu depois da crucificação de Jesus, baseado nas lembranças do Apóstolo Pedro, de quem foi parceiro nas pregações. Marcos foi arrastado e despedaçado pela população de Alexandria, na grande solenidade do ídolo Serapis.

 

Lucas (16º), que não conheceu Jesus, e supõe-se ter sido médico (e que falava grego e latim), foi discípulo de Paulo de Tarso (que também não foi testemunha ocular de Cristo). Foi Lucas quem fez uma pesquisa criteriosa para ordenar os fatos e os ensinos do Mestre, baseando-se boa parte dela nas lembranças de Maria, mãe de Jesus. O Atos dos Apóstolos, que vem logo depois do Evangelho de João, fala das atitudes dos apóstolos após a crucificação de Jesus, começando com o evento chamado de Pentecostes, e continuando mais atento à vida e às viagens do apóstolo Paulo, abrangendo um período de mais de trinta anos após a morte de Jesus.  Lucas viajou com Paulo a vários países e supõe-se que tenha sido pendurado em uma oliveira pelos idólatras sacerdotes da Grécia.

 

As Epístolas são escritos doutrinários em forma de cartas, que se dividem em dois conjuntos: as Paulinas e as Universais. As Paulinas são as cartas que o apóstolo Paulo mandava às igrejas recém fundadas e aos discípulos. As Universais são as cartas de vários apóstolos para os cristãos em geral, compreendendo: uma carta de Tiago, uma de Judas Tadeu, duas de Pedro e três de João (Evangelista).  

 

O Apocalipse é um livro em linguagem cifrada, cheia de símbolos e visões proféticas relativas ao final dos tempos, escrito já na velhice por João (Evangelista), quando este estava recluso na ilha de Patmos.

 

 

 

 

 

Um pouquinho da história sobre Paulo de Tarso, para mim um grande estrategista, e o começo da “influência humana” na formação da “Igreja-Estado”…

 

 

Paulo de Tarso, cujo nome original era Sha’ul (”Saulo“), é considerado exageradamente por muitos cristãos como o mais importante discípulo de Jesus (”Yeshua”) e, depois de Jesus, a figura mais importante no desenvolvimento do Cristianismo que surgia. Veja, portanto, o começo do que chamo provocativamente de “primeira multinacional do planeta”.

 

Paulo de Tarso, apóstolo diferente dos demais, deu maior ênfase aos irmãos gentios (ou seja, aqueles que não eram israelistas), pois seu chamado era destinado a estes que estavam espalhados pelo mundo (Atos 13:47). Paulo era um homem culto, pois era fariseu, ou seja, seguidor da Torá, e frequentador de sinagogas. A palavra Fariseu significa “separados”, ou melhor, “a verdadeira comunidade de Israel”, ou melhor ainda, “santos”. Sua oposição ferrenha ao Cristianismo rendeu-lhes, através dos tempos, uma figura de fanáticos e hipócritas que apenas manipulavam as leis para seu interesse. Esse comportamento deu origem à ofensa “fariseu”, comumente dado às pessoas dentro e fora do Cristianismo, que são julgados como religiosos aparentes. Lembro-lhe de que foram os FARISEUS que pediram a cabeça de Jesus… Veja o filme do Mel Gibson… Outros historiadores crêem que Paulo era um zelote, um “terrorista” daquela época, um “guerrilheiro”…  

 

Paulo foi fiel seguidor do famoso rabino Gamaliel I, o Ancião. Além de mestre e Doutor da Lei de Torah, ficou conhecido como gnóstico (como Barnabé), conforme os Evangelhos Gnósticos, que não são reconhecidos pela Igreja Católica. Dizia-se que Paulo era manco de uma perna, tinha problemas de vista, era calvo e tinha aproximadamente 1,50 metros de altura. Aparentemente Paulo tinha problemas de saúde, padecendo de uma doença crónica e dolorosa, da qual ignora-se qual a natureza, mas que teria sido um obstáculo grande no seu dia-a-dia. Por volta dos anos 58–60 ele descrevia-se a si próprio como um velho.

 

Paulo de Tarso destaca-se dos outros apóstolos pela sua cultura, considerando-se que em sua maioria era de pescadores. Outro fato interessante é que a língua materna de Paulo era o grego, e muitos historiadores acreditam que ele também dominava o aramaico. Ficou famoso no meio acadêmico pois era misógino, ou seja, não gostava de reconhecer o papel importante da mulher, daí alguns historiadores acreditarem que Maria Madalena não é a mesma Maria prostituta dos evangelhos, tanto que é para Maria Madalena que Jesus Cristo primeiro apareceu depois de ressuscitado! 

 

Educado em duas culturas (grega e judaica), Paulo fez muito pela difusão do Cristianismo entre os ”gentios” e é considerado uma das principais fontes da doutrina da Igreja Católica por causa de suas Epístolas, tanto que estas são parte importante do Novo Testamento. Alguns historiadores afirmam que foi ele quem verdadeiramente transformou o cristianismo numa nova religião, e não mais uma “seita” do Judaísmo.

 

Uma coisa fez com bom senso: favoreceu a abolição da necessidade da circuncisão e dos hábitos alimentares tradicionais dos judeus, extremamente restritos. Uns dizem que se tratava de uma estratégia de crescimento da nova religião… afinal, foi exatamente em consequência desta revolução que a adoção do cristianismo pelos povos gentios tornou-se mais viável.

 

Paulo foi executado em Roma (decepado por uma espada) a mando de Nero, aquele maluco que tocou fogo em Roma (para lhe inspirar a escrever um poema…) e que acabou matando um monte de romano, destruindo quatro bairros inteiros (e deixando milhares desabrigados). Como um bom “político”, Nero colocou a culpa nos cristãos!

 

 

 

 

 

Os irmãos de sangue de Jesus… acredite, se quiser…

 

Caro Leitor, não brigue comigo, mas esta estória de que Jesus era filho único não está correta, nem era comum as famílias terem filho único, ainda mais naquela época e naquela região. Estudos históricos sérios apontam o seguinte: José casou-se com Maria quando ela tinha apenas 14 anos (logo após sua primeira menstruação, o que era comum na cultura judaica). E morreu jovem, aos 36 anos de idade, quando caiu de um telhado que construía (e quando Jesus tinha, “coincidentemente”, pouco mais que 14 anos). Isto foi calculado por especialistas como sendo em 25 de Setembro do ano 8º da era cristã, o que significa que Jesus nasceu, na verdade, em 21 de Agosto do ano -7 (todos nós sabemos, ou já ouvimos falar, que há um erro na contagem do tempo moderno devido a N fatores que não merecem atenção agora… calendário gregoriano, calendário juliano, correções astronômicas, etc…).

 

Jesus, por sua vez, também morreu “coincidentemente” aos 36 anos de idade, exatamente como seu pai humano José, no dia 07 de Abril (às 15h). De acordo com o santo sudário, tinha 1,81m de altura (um gigante perto dos galileus de altura média de 1,65m), sangue AB+ (o que intriga os pesquisadores) e corpo de proporção altura/peso de um verdadeiro atleta. O sangue AB+ é tido como “sangue moderno”, cujo surgimento data de menos de mil anos. Seria Jesus um “E.T.”? Alguém gerado por alta tecnologia de inseminação artificial de um povo anos-luz mais evoluído que os humanos? Alguns filmes que estão em cartaz já exploram sutilmente esta possibilidade… O Vaticano estuda esta probabilidade mas não comenta o assunto (sequer o admite). Enfim, um dia saberemos… No entanto, não tiro a divindade do fato…  

 

Mais: a pessoa de sangue tipo AB reage melhor ao estresse, espiritualmente, com vivacidade física e energia criativa. O sangue fator AB tem menos de mil anos de existência, é raro (2% a 5% da população mundial) e biologicamente complexo. Vários antígenos fazem com que o AB, às vezes, seja semelhante ao A, outras ao B, e outras parecem uma fusão de ambos. Essa multiplicidade de qualidades pode ser positiva ou negativa, dependendo das circunstâncias. Combinado com seu porte atlético, explica como Jesus agüentou a tortura e a crucificação por horas, mesmo sofrendo de hematidrose (transpirar sangue). Estes detalhes foram relatados por famosos especialistas de necropsia, através de modernos equipamentos que usaram para estudar o Santo Sudário (que voltará, em breve, a ser exposto em Turim, Itália). 

 

Veja texto incluso abaixo sobre este assunto…

 

 

Voltando ao tema… Jesus teve como melhor Caro Leitor de infância um jovem chamado Jacó, e seus oito irmãos de sangue, a seguir, em ordem cronológica de nascimentos:

 

1. Tiago (??.??. -0005), que pode ter sido um dos seus discípulos (Tiago, o Menor)…

2. Míriam (11.Jul.-0002),

3. José (16.03.0001),

4. Simão (14.04.0002),

5. Marta (15.09.0003),

6. Judas (21.06.0005), que pode ter sido um dos discípulos…

7. Amos (09.01.0007) e

8. a caçula Ruth (março 0009), que não conheceu o pai, José, morto em 25.09.0008…  

 

Seu principal professor foi Nahor, para quem deu muito trabalho por causa das perguntas inquietantes que fazia. Dizem que Jesus seguiu os passos do pai, José, tornando-se carpinteiro. Está parcialmente correto. Jesus também foi pescador, trabalhou em estaleiro de barcos, jardineiro…

 

Uma curiosidade: seu primo famoso, João Batista, filho de Isabel e Zacarias, era extremamente forte e tinha 2 metros de altura. Alguns historiadores afirmam que João Batista pregava por alguns dias e sumia por vários. Vivia como ermitão. E estava sempre com uma colméia de abelhas nas mãos, para comer o mel.

 

 

Curiosidade da “Receita Federal” daquela época…

  

Com sabemos, nos tempos de Jesus, o governo romano coletava diversos impostos do povo palestino. Pedágios para transportar mercadorias por terra ou por mar eram recolhidos por coletores particulares, os quais pagavam uma taxa ao governo romano pelo direito de avaliar esses tributos. Os cobradores de impostos auferiam lucros cobrando um imposto mais alto do que a lei permitia. Os coletores licenciados muitas vezes contratavam oficiais de menor categoria, chamados de publicanos, para efetuar o verdadeiro trabalho de coletar. Os publicanos recebiam seus próprios salários cobrando uma fração a mais do que seu empregador exigia. Coincidência com o mundo atual??

 

O discípulo Mateus era um desses publicanos (e era odiado por isto). Ele coletava pedágio na estrada entre Damasco e Aco e sua tenda estava localizada fora da cidade de Cafarnaum, o que lhe dava a oportunidade de, também, cobrar impostos dos pescadores. Ou seja, sua tenda ficava em posição estratégica, logisticamente falando… era um verdadeiro porto seco!!


Caro Leitor, normalmente um publicano cobrava 5% do preço da compra de artigos normais de comércio, e até 12,5% sobre artigos de luxo. Mateus cobrava impostos também dos pescadores que trabalhavam no mar da Galiléia e dos barqueiros que traziam suas mercadorias das cidades situadas no outro lado do lago. Mesmo assim, os impostos eram mais baixos que os 27,5% que a querida e eficiente RF cobra do seu salário todo santo mês!!


O judeus consideravam impuro o dinheiro dos cobradores de impostos, por isso nunca pediam troco! Se um judeu não tinha a quantia exata que o coletor exigia, ele emprestava-o a um Caro Leitor. Os judeus desprezavam os publicanos como agentes do odiado império romano e do rei títere judeu. Não era permitido aos publicanos prestar depoimento no tribunal (por que será, hein??), e não podiam pagar o dízimo de seu dinheiro ao templo (gente boa, hein!). Um bom judeu não se associaria com publicanos (Mt 9.10-13)…


Os judeus dividiam os cobradores de impostos em duas classes. a primeira era a dos gabbai, que lançavam impostos gerais sobre a agricultura e arrecadavam do povo impostos de recenseamento. O segundo grupo compunha-se dos mokhsa, que eram todos judeus, daí serem eles desprezados como traidores do seu próprio povo. Mateus pertencia a esta classe! O Evangelho de Mateus diz-nos que Jesus se aproximou deste improvável discípulo quando ele esta sentado em sua coletoria. Jesus simplesmente ordenou a Mateus: “Segue-me!” Ele deixou o trabalho pra seguir o Mestre (Mt 9.9). Veja a beleza do fato…


Evidentemente, Mateus era um homem rico, porque ele deu um banquete em sua própria casa. “E numerosos publicanos e outros estavam com eles à mesa” (Lc 5.29). O simples fato de Mateus possuir casa própria indica que era mais rico do que o publicano típico (será que ganhava uns troquinhos por fora??). Por causa da natureza de seu trabalho, temos certeza que Mateus sabia ler e escrever. Os documentos de papiro, relacionados com impostos, datados de cerca de 100 dC, indicam que os publicanos eram muito eficientes em matéria de cálculos.


Mateus pode ter tido algum grau de parentesco com o discípulo Tiago, visto que se diz de cada um deles ser “filho de Alfeu” (Mt 10.3; Mc 2.14). Às vezes Lucas usa o nome Levi para referir-se a Mateus (Lc 5.27-29). Daí alguns estudiosos crerem que o nome de Mateus era Levi antes de se decidir-se a seguir a Jesus, e que Jesus lhe deu um novo nome, que significa “dádiva de Deus”. Outros sugerem que Mateus era membro da tribo sacerdotal de Levi.

 

De todos os evangelhos, o de Mateus tem sido, provavelmente, o de maior influência. A literatura cristã do segundo século faz mais citações do Evangelho de Mateus do que qualquer outro. Os “pais da igreja” colocaram o Evangelho de Mateus no começo do cânon do Novo Testamento provavelmente por causa do significado que lhes atribuíam.

 

O relato de Mateus destaca Jesus como o cumprimento das profecias do Antigo Testamento. Acentua que Jesus era o Messias prometido. Não sabemos o que aconteceu com Mateus depois do dia de Pentecostes (50 dias depois da Páscoa). Uma informação fornecida pelo historiador John Foxe, declara que ele passou seus últimos anos pregando na Pártia e na Etiópia e que foi martirizado na cidade Nadabá em 60 dC.  Porém não podemos julgar se esta informação é digna de confiança ou não..

 

 

Tortura, hematidrose, crucificação covarde de Jesus…

 

Relato aqui a descrição das dores de Jesus feita por um grande estudioso francês, o médico Dr. Barbet, dando-nos a possibilidade de compreender realmente as dores de Jesus durante a sua paixão. Jesus entrou no horto de Getsemani já em extrema agonia e orava mais intensamente. “E seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra”. O único evangelista que relata o fato é um médico, Lucas. E o faz com a precisão de um clínico. O suar sangue, ou “hematidrose”, é um fenômeno raríssimo. Se produz em condições excepcionais: para provocá-lo é necessário uma fraqueza física, acompanhada de um abatimento moral violento causado por uma profunda emoção, por um grande medo. O terror, o susto, a angústia terrível de sentir-se carregando todos os pecados dos homens devem ter esmagado Jesus. Tal tensão extrema produz o rompimento das finíssimas veias capilares que estão sob as glândulas sudoríparas, o sangue se mistura ao suor e se concentra sobre a pele, e então escorre por todo o corpo até a terra.

 

Conhecemos a farsa do processo preparado pelo Sinédrio hebraico, o envio de Jesus a Pilatos e o desempate entre o procurador romano e Herodes. Pilatos cede, e então ordena a flagelação de Jesus. Os soldados despojam Jesus e o prendem pelo pulso a uma coluna do pátio. A flagelação se efetua com tiras de couro múltiplas sobre as quais são fixadas bolinhas de chumbo e de pequenos ossos. De acordo com os vestígios do Santo Sudário (que está em Turim, Itália), os carrascos devem ter sido dois, um de cada lado, e de diferente estatura. Golpeiam com chibatadas a pele, já alterada por milhões de microscópicas hemorragias do suor de sangue. A pele se dilacera e se rompe; o sangue espirra. A cada golpe Jesus reage em um sobressalto de dor. As forças se esvaem; um suor frio lhe impregna a fronte, a cabeça gira em uma vertigem de náusea, calafrios lhe correm ao longo das costas. Se não estivesse preso no alto pelos pulsos, cairia em uma poça de sangue (o filme de Mel Gibson, “A Paixão de Cristo”, é o que mais se aproxima da realidade da tortura de Jesus…). Depois vem o escárnio da coroação. Com longos espinhos, mais duros que aqueles da acácia, os soldados romanos entrelaçam uma espécie de capacete (e não coroa) e o aplicam sobre a cabeça. Os espinhos penetram no couro cabeludo fazendo-o sangrar (os cirurgiões sabem o quanto sangra o couro cabeludo).

 

Pilatos, depois de ter mostrado aquele homem dilacerado à multidão feroz, o entrega para ser crucificado. Colocam sobre os ombros de Jesus o grande braço horizontal da cruz; pesa uns cinqüenta quilos. A estaca vertical já está plantada sobre o Calvário, como era o padrão romano para esta morte humilhante que praticavam quase que semanalmente.

 

Jesus caminha com os pés descalços pelas ruas de terreno irregular, cheias de pedregulhos, com o braço da cruz de madeira maciça, pesando 50 kgs nos ombros. Os soldados o puxam com as cordas. O percurso, é de cerca de 600 metros. Jesus, fatigado, arrasta um pé após o outro, freqüentemente caindo sobre os joelhos. E os ombros de Jesus estão cobertos de chagas. Quando ele cai por terra, a viga lhe escapa, escorrega, e lhe esfola o dorso.

 

Sobre o Calvário tem início a crucificação. Os carrascos deixam o condenado totalmente nú, mas a sua túnica está colada nas chagas e tirá-la é atroz. Alguma vez você tirou uma atadura de gaze de uma grande chaga ou ferida? Imagine agora do que se trata… Cada fio de tecido adere à carne viva…  ao levarem a túnica, se laceram as terminações nervosas postas em descoberto pelas chagas… Os carrascos puxavam com violência… Como aquela dor atroz não provoca uma síncope?

 

O sangue começa a escorrer. Jesus é deitado de costas, as suas chagas se incrustam de pó e pedregulhos. Depositam-no sobre o braço horizontal da cruz. Os algozes tomam as medidas. Com uma broca, é feito um furo na madeira para facilitar a penetração dos pregos; horrível suplício! Os carrascos pegam um cravo (um longo prego pontudo e quadrado), o apoiam sobre o pulso de Jesus, com um golpe certeiro de martelo o plantam e o rebatem sobre a madeira. Jesus deve ter contraído o rosto assustadoramente. No mesmo instante o seu pólice, com um movimento violento se posicionou opostamente na palma da mão; o nervo mediano foi lesado. Pode-se imaginar aquilo que Jesus deve ter provado; uma dor lancinante, agudíssima, que se difundiu pelos dedos, e espalhou-se, como uma língua de fogo, pelos ombros, lhe atingindo o cérebro. Uma dor mais insuportável que um homem possa provar, ou seja, aquela produzida pela lesão dos grandes troncos nervosos. De sólido provoca uma síncope e faz perder a consciência. Em Jesus não. Pelo menos se o nervo tivesse sido cortado!  Ao contrário (constata-se experimentalmente com freqüência) o nervo foi destruído só em parte: a lesão do tronco nervoso permanece em contato com o prego: quando o corpo for suspenso na cruz, o nervo se esticará fortemente como uma corda de violino esticada sobre a cravelha. A cada solavanco, a cada movimento, vibrará despertando dores dilacerantes. Um suplício que durará três horas.

 

O carrasco e seu ajudante empunham a extremidade da trava; elevam Jesus, colocando-o primeiro sentado e depois em pé; consequentemente fazendo-o tombar para trás, o encostam na estaca vertical. Depois rapidamente encaixam o braço horizontal da cruz sobre a estaca vertical. Os ombros da vítima esfregaram dolorosamente sobre a madeira áspera. As pontas cortantes da grande coroa de espinhos o laceraram o crânio. A pobre cabeça de Jesus inclinou-se para frente, uma vez que a espessura do capacete o impedia de apoiar-se na madeira. Cada vez que o mártir levanta a cabeça, recomeçam pontadas agudíssimas.

 

Pregam-lhe os pés. Ao meio-dia Jesus tem sede. Não bebeu desde a tarde anterior. As feições são impressas, o vulto é uma máscara de sangue. A boca está semi-aberta e o lábio inferior começa a pender. A garganta, seca, lhe queima, mas ele não pode engolir. Tem sede. Um soldado lhe estende sobre a ponta de uma vara, uma esponja embebida em bebida ácida, em uso entre os militares. Tudo aquilo é uma tortura atroz. Um estranho fenômeno se produz no corpo de Jesus. Os músculos dos braços se enrijecem em uma contração que vai se acentuando: os deltóides, os bíceps esticados e levantados, os dedos se curvam. Se diria um ferido atingido de tétano, presa de uma horrível crise que não se pode descrever. A isto que os médicos chamam tetania, quando os sintomas se generalizam: os músculos do abdômen se enrijecem em ondas imóveis, em seguida aqueles entre as costelas, os do pescoço, e os respiratórios.

 

A respiração se faz, pouco a pouco mais curta. O ar entra com um sibilo, mas não consegue mais sair. Jesus respira com o ápice dos pulmões. Tem sede de ar: como um asmático em plena crise, seu rosto pálido pouco a pouco se torna vermelho, depois se transforma num violeta purpúreo e enfim em cianítico. Jesus atingido pela asfixia, sufoca. Os pulmões cheios de ar não podem mais esvaziar-se. A fronte está impregnada de suor, os olhos saem fora de órbita. Que dores atrozes devem ter martelado o seu crânio! 

 

Mas o que acontece? Lentamente com um esforço sobre-humano, Jesus tomou um ponto de apoio sobre o prego dos pés. Esforçando-se a pequenos golpes, se eleva aliviando a tração dos braços. Os músculos do tórax se distendem. A respiração se torna mais ampla e profunda, os pulmões se esvaziam e o rosto recupera a palidez inicial. Porque este esforço? Porque Jesus quer falar: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. Logo em seguida o corpo começa afrouxar-se de novo, e a asfixia recomeça. Foram transmitidas sete frases pronunciadas por ele na cruz: cada vez que quer falar, deverá elevar-se tendo como apoio o prego dos pés, inimaginável!

 

Enxames de moscas, grandes moscas verdes e azuis, zunem ao redor do seu corpo; irritam sobre o seu rosto, mas ele não pode enxotá-las. Pouco depois o céu escurece, o sol se esconde: de repente a temperatura se abaixa. Logo serão três da tarde. Jesus luta sempre: de vez em quando se eleve para respirar. A asfixia periódica do infeliz que está destroçado. Uma tortura que dura três horas. Todas as suas dores, a sede, as cãibras, a asfixia, o latejar dos nervos medianos, lhe arrancaram um lamento: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?”. Jesus grita: “Tudo está consumado!”.

 

Em seguida num grande brado disse: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”. E morre… PARA RESSUSCITAR EM 3 DIAS! Daí ter dito dias antes: “destrua este Templo e eu o reconstruo em três dias”. 

 

Meu Caro Leitor, depois tem gente que ainda duvida da grandiosidade de Jesus…

  

PORTANTO, MEU CONSELHO PARA VOCÊ, SE ME PERMITE A OUSADIA, É:  

NÃO ACEITE ESTAS INFORMÇÕES COMO VERDADEIRAS. APENAS COMO “HUMILDE PROVOCAÇÃO” PARA SUA PESQUISA. 

 

 

 

Sds,

 

MARCELO DOTTA DA SILVA 

marcelodotta@gmail.com

 

 

 

 

June 21, 2009 - 1:54 PM Comments (2)

Seja bem-vindo à esta página!

 

 

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May 19, 2009 - 4:38 PM No Comments